segunda-feira, 30 de novembro de 2015

UM ADEUS AO MEU PAI NA FÉ: OVENCÍLIO VIEIRA

Irmão Ovencílio era aquele pregador de uma mensagem só: Jesus está voltando. Até hoje não conheci ninguém como ele que vivesse como se Jesus voltasse a qualquer momento, sendo, por isso, até mau compreendido. Mas se tratava de uma verdade interna que não tinha como ele esconder senão expressar para todos quantos pudessem ouvir: Jesus está voltando.

Irmão Ovencílio também era um profeta. Inclusive profetizou para mim de maneira admoestadora:
― Marcelo, você vai ao diaconato; vai ao presbitério; vai à evangelista; vai ao pastorado. Mas quando chegar lá desça mais. Humilha-se mais! Deus não te quer como ioiô na mão de líderes, fazendo o jogo desse mercado em que se transformou a igreja evangélica. 

Jamais esqueci desta admoestação profética!

Um homem experimentado que sofreu e aprendeu o verdadeiro sentido do Evangelho mesmo sob a árdua experiência da vida e as decepções eclesiásticas. Mas diante de todas as decepções, ele não perdeu a pureza do Evangelho. Sua confiança em Jesus e no Reino de Deus nunca foi abalada.

Quantas frases me ensinaram no caminho da sua existência:
― Irmão Ovencílio, como vai o Senhor?
― Estou melhor do que mereço ― respondia.

Outra pequena pérola que me serviu de aprendizado e consolo:
“Olhemos para Jesus e depois para nós mesmos, porque pela perfeição de Jesus nós corrigimos as nossas imperfeições”.

Após vários meses de luta pela vida, o irmão Ovencílio partiu para o Senhor. Agora, Ele está de fato com Cristo: a grande esperança do seu coração. Nós que ficamos, acolhamos o seu exemplo como homem de Deus e aguardemos com confiança a consumação de todas as coisas.

Muito obrigado, irmão Ovencílio, pelo privilégio em participar da sua existência!

Nossos votos de sentimentos, meu e de minha esposa Gilmara, à irmã Ester, sua esposa, e aos seus filhos.

E a toda a família que neste momento está de luto.


Em Cristo, um dia nos encontraremos!

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Lições Bíblicas CPAD: ESCATOLOGIA - 1º TRI 2016



O currículo de Escola Dominical CPAD é um aprendizado que acompanha toda a família. A cada trimestre, um reforço espiritual para aqueles que desejam edificar suas vidas na Palavra de Deus. Neste 1º trimestre de 2016, estudaremos: O Final de Todas as Coisas Esperança e Glória para os Salvos 
Comentário: Pr. Elinaldo Renovato de Lima

Sumário: 
Lição 1 - Escatologia, o Estudo das Últimas Coisas 
Lição 2 - Sinais que Antecedem a Volta de Cristo 
Lição 3 - Esperando a Volta de Jesus 
Lição 4 - Esteja Alerta e Vigilante, Jesus Voltará 
Lição 5 - O Arrebatamento da Igreja 
Lição 6 - O Tribunal de Cristo e os Galardões 
Lição 7 - As Bodas do Cordeiro 
Lição 8 - A Grande Tribulação 
Lição 9 - A Vinda de Jesus em Glória 
Lição 10 - Milênio - Um Tempo Glorioso para a Terra 
Lição 11 - O Juízo Final 
Lição 12 - Novos Céus e Nova Terra 
Lição 13 - O Destino Final dos Mortos


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

QUANDO A DOR DA MORTE E DO LUTO CHEGAR

Em algumas partes do meio evangélico pentecostal, uma mãe chorar a morte do filho ou a esposa sofrer a partida repentina do esposo é “pecado”. Quer-se a todo custo que a pessoa enlutada permaneça firme na “obra de Deus”. Infelizmente, esse pensamento faz parte de uma perspectiva teológica equivocada e sem contexto de que os “mortos devem enterrar o seus mortos” e de que não há tempo para o “servo de Deus” sofrer as agruras da vida porque a “obra de Deus” não pode parar. Pessoas que pensam assim, não têm noção de que a maior obra de Deus, neste caso, é consolar quem perdeu o seu ente querido: “Se alguém entre vós cuida ser religioso e não refreia a sua língua, antes, engana o seu coração, a religião desse é vã. A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg 1.26,27).
Que tristeza ver pessoas se desumanizarem em nome de uma fé que nada tem a ver com o Evangelho! Pior ainda é contemplar gente disferindo ataques contra o dia de finados pensando defender a fé cristã. Não vou tão longe, no sentido de fazer culto aos mortos, pois pelo Evangelho eu sei que Deus é o Deus de vivos e que quaisquer pessoas que, em Cristo, passaram da vida para morte estão vivas. Entretanto, a memória de quem se foi deve ser preservada sim. A mãe deve viver o luto da passagem do seu filho. Ora, imagine a dor! Imagine o sofrimento! Imagine a angústia!
No luto, o tempo é de parar e de se recolher. É tempo de repensar a vida. É tempo da comunidade dos santos sair das quatro paredes para consolar, abrandar o sofrimento e dar o absoluto apoio para a pessoa enlutada. Não é tempo de cobrar a ausência aos cultos da pessoa enlutada.
Por favor, não faça isso!
Embora eu entenda que pode haver a mais pura e doce intenção nessa cobrança, isso soa despreocupação com o estado existencial de quem perdeu o ente querido.
Recentemente, aconselhei uma pessoa dilacerada pela dor da perda e pela dor de não ter achado em sua igreja local o consolo e o abraço amigo. Isso ocorreu fora do Rio de Janeiro.
Como é triste batalhar a vida inteira pela causa do Evangelho e quando se mais precisar não achar apoio onde deveria havê-lo em primeiro lugar: “visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações” (Tg 1.27).
Com muito amor e carinho, a senhora sofrida ouviu de minha boca as palavras pelas quais passo a relatar: Minha irmã, ignore totalmente as palavras de quem pensa assim, pois ela não sabe o que diz. Não adianta persistir! Essa pessoa não entenderá o que realmente importa na causa do Evangelho. Quanto à senhora, chore a morte da sua filha. Chore, porque Jesus chorou a morte do seu amigo Lázaro, o que significa que o nosso Senhor compreende bem o que a senhora está sentindo. Leia diariamente os salmos 23 e 38. Esses salmos me confortaram muito quando fui atacado pela depressão. Leia-os orando, pedindo misericórdia e graça ao Senhor. Tenho certeza de que o nosso Senhor não lhe abandonará, como não me abandonou. Se puder, faça uma viagem com suas outras filhas e esposo. Vá para bem longe, procure está mais próxima daqueles que te amam e lhe querem bem. Isso não vai sarar a dor da perda, porque não há nada que repare a dor de uma mãe que perdeu uma filha, mas tais atitudes certamente lhe trarão consolo e esperança. Mais paz e equilíbrio, sabendo que a sua filha amada agora está viva com o Pai.
Com isso, o Corpo de Cristo deve consolar uns aos outros para todos tenhamos esperança em Deus (1 Ts 4.18).
Que essa humilde palavra também possa servir de consolo e paz para você, seja a que cobra o outro, ou seja a pessoa enlutada.
Paz e Bem!

sábado, 31 de outubro de 2015

Hoje, 31 de Outubro, dia da Reforma Protestante.

Resultado de imagem para Reforma Protestante

Uma doutrina que eu destacaria neste dia é "o Sacerdócio Universal dos Crentes". A ideia de que não temos um intermediário entre Deus e o seu povo, senão Jesus Cristo, foi e é muito cara aos protestantes.
Atualmente, no meio evangélico, há milhares de pessoas que desconhecem a doutrina bíblica de que ninguém pode se denominar "representante de Deus sobre outras pessoas".
Há muitos entre nós que criticam a infalibilidade papal, mas que se mostram autoridades infalíveis em suas comunidades eclesiásticas. Não são papas apenas por falta de oportunidade e exercem essa "autoridade papal" em seus pequenos territórios. Não se mostram como pessoas comuns, que tiveram uma experiência com Deus e estão ali apenas para fazer um trabalho de mentoria espiritual e de edificação para o Corpo de Cristo; mas como uma "autoridade autoritária" que não tem compromisso com o Corpo de Cristo, mas somente com os seus próprios caprichos.
No Reino de Deus, somos todos sacerdotes sob a autoridade de um único Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, o nosso Senhor:
"Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (1 Pe 2.9).
No dia de hoje, não só hoje, exerça o seu ofício de sacerdote da Nova Aliança entrando com ousadia ao Trono da Graça de Deus, tendo a certeza de que ali há um Sumo Sacerdote igual a nós e que em tudo foi tentado, mas sem pecado (Hb 4.14-16).
Um final de semana de muitas bênçãos!
Paz e Bem!

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Sobre a Liderança Religiosa na Política Partidária

"Intelectual na política é quase sempre errado. É sempre errado. A práxis não deixa espaço para pensar; pensar é muito sutil, enrascado, complexo, multiplica as alternativas."

"Escrevemos, escrevemos, escrevemos. Clamamos no deserto. O clube do poder tem as portas lacradas e calafetadas."

(Otto Lara Resende)

Ouvi o ensino de Otto Lara Resende nos lábios de um grande pensador. Ele dizia que o intelectual não pode entrar na política devido à natureza desta ser contra as virtudes da intelectualidade: honestidade, respeito e sinceridade. O jogo político não deixa margem para o “pensar” honesto, o respeito mútuo e a sinceridade sobre o fato dos acontecimentos.
Agora pergunto: se um intelectual tem essa clara noção, o que um pastor de igreja está fazendo na política partidária?
Conversando com um padre (bela pessoa que tive o prazer de conhecê-la neste final de semana) sobre diversos assuntos, ele me perguntou: o que você acha de religiosos na política partidária? Mostrei a ele minha opinião radical contrária ao pastor de igreja atuar na política partidária. De modo que ele me replicou: Ora, as Escrituras são tão claras: “Pode o homem servir a dois senhores?”

P.S. Segundo o Código de Direito Católico da Igreja Romana, o padre que atuar na política partidária não pode permanecer à frente da Paróquia. Ou seja, para seguir na carreira da política partidária, o padre não pode estar na frente de uma comunidade de fé.


Paz e Bem!

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

MARINA SILVA, A REDE E O ESTATUTO DA FAMÍLIA

Marcelo Oliveira de Oliveira

Chamou-me a atenção, a desonestidade intelectual de alguns blogueiros sobre a conduta moral e espiritual da ex-senadora do Acre, Marina Silva. Uma militante política desde a sua mocidade. Bem verdade, iniciou sua militância sob a influência da Teologia da Libertação, propagada pelos irmãos Boff, aqui no Brasil. Por esse projeto, ela foi alfabetizada aos 16 anos. Depois, como uma das fundadoras do PT ingressou na política partidária e tornou-se a vereadora mais bem votada nas eleições de Rio Branco, no Estado do Acre, em 1988. Em 1990, foi eleita a deputada estadual mais bem votada no estado acreano. Em 1994, foi eleita senadora da República aos 36 anos e reeleita em 2002. Em 2003 foi convocada por Luiz Inácio Lula da Silva, então presidente da República, para ser ministra do Meio Ambiente. Vindo a concorrer à presidência da República em 2010 e 2014 (acidentalmente) respectivamente. Cabe pontuar: a lisura, o testemunho de seguidora de Jesus da ex-senadora é exemplar!
Entretanto, foi no mandato de senadora que a ex-ministra teve uma experiência religiosa com o Cristo da fé, de natureza pentecostal. Assim, ela tornou-se membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus. Coerente com suas convicções, sobretudo, as do Evangelho, renunciou ao Ministério do Meio Ambiente e, por entender que o ciclo de suas convicções não mais se adequava ao Partido dos Trabalhadores, deixou a sigla. Os grandes embates da ex-senadora foram sempre de natureza ética.
Nos últimos dias, o partido Rede Sustentabilidade, da ex-senadora Marina Silva, teve aceitado pelo TSE o pedido de registro oficial. Agora, o partido é partido de fato. Concomitantemente, uma semana depois, o Rede soltou uma nota de repúdio à aprovação do Estatuto da Família. Suficiente para a blogosfera evangélica iniciar uma onda de ataques a ex-senadora Marina Silva.
Antes de pontuar quaisquer ilações, deve-se levar em conta que, no Brasil, à exceção do PSC, nenhum partido político defende os valores tradicionais da família. Por um simples motivo: a maioria reconhece as novas configurações familiares presentes na sociedade. Equivocadamente chamado partido de direita, o PSDB reconheceu isso:

Diversidade LGBT do PSDB cobra esclarecimentos de deputada que votou a favor do Estatuto da Família (a deputada Geovana de Sá que votou a favor do Estatuto pode ser até interpelada pela direção do partido). Leia!

A partir do fato exposto, deveríamos nos fazer algumas perguntas:

1.      A nota do partido representa o pensamento de Marina Silva?
2.      A ex-senadora Marina defende mesmo o Casamento Homossexual?
3.      A ex-senadora, de fato, não defende o conceito de família exposto nas Escrituras?

Em eleições anteriores, Marina Silva já deixou claras suas respostas às três perguntas acima. Ora, a nota não quer dizer que o pensamento da senadora seja o mesmo do partido, o que é muito comum em política; a ex-senadora já deixou claro que ela não é a favor do casamento homossexual; e, por consequência, Marina Silva tem sim o conceito de família exposto conforme as Escrituras.
Entretanto, como agente pública, ela entende corretamente que o Estado tem o dever em reconhecer algumas composições sociológicas que fogem do padrão da família tradicional. Ou seja, se há duas pessoas do mesmo sexo vivendo juntas há anos, o Estado deve regularizar tal união para fins de herança, benefícios previdenciários etc. O que está em jogo aqui não é a fé, mas o direito de algumas pessoas. O Estado não pode se furtar de reconhecer uma realidade. Pessoas do mesmo sexo vivendo juntas há 15, 20 ou 30 anos é um fato, e o Estado não pode se omitir sob pena de cometer injustiças jurídicas e previdenciárias. O que não quer dizer que a ex-senadora defenda o casamento de homossexuais, mas o simples reconhecimento jurídico dessas uniões.
O que não se pode fazer é injustiça. Atacar a espiritualidade de uma serva de Deus porque o pensamento político não bate com o do outro é obscurantismo. No meio evangélico, o debate de direita e esquerda está acirrado. Não à toa, muitos até colocam Marina como membro do foro de São Paulo (o que não é verdade). Acusando-a de agente da revolução cultural em marcha no Brasil e na América Latina. Há tempos Marina rompeu com esse tipo de política de embate entre os ricos e pobres ou vice e versa. Exatamente isso que a distancia da esquerda tradicional do PT.
Marina está numa situação difícil, acusada de direitista pelos esquerdistas e de esquerdista disfarçada pelos direitistas. Quando não é uma coisa nem outra. Algumas pessoas ainda não entendem que o mundo de hoje não cabe mais sistemas fechados de classificação política. Se pode muito bem fazer uma simbiose entre o que há de melhor na direita e na esquerda. É a síntese que interessa e não mais a Tese e a Antítese.
Por isso, mais respeito com Marina Silva! Ela é uma serva de Cristo, portadora da Palavra, missonária, mulher dedicada às coisas de Deus e uma vocacionada para a política com uma autoridade moral que falta há muitos que se dizem membros da Bancada Evangélica.

Paz e Bem!


terça-feira, 15 de setembro de 2015

DÍZIMO, DIVÓRCIO E CONAMAD

Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas. Com maldição sois amaldiçoados, porque me roubais a mim, vós, toda a nação. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança” (Ml 3.8-10).

Marcelo Oliveira de Oliveira

O que o dízimo tem a ver com o divórcio?

Para entender a palavra do profeta Malaquias acerca do dízimo é preciso remontar todo o livro. O capítulo 1 do livro do profeta Malaquias mostra o andamento do processo de apodrecimento moral entre os sacerdotes:

O filho honrará o pai, e o servo, ao seu senhor; e, se eu sou Pai, onde está a minha honra? E, se eu sou Senhor, onde está o meu temor? — diz o Senhor dos Exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome e dizeis: Em que desprezamos nós o teu nome? Ofereceis sobre o meu altar pão imundo e dizeis: Em que te havemos profanado? Nisto, que dizeis: A mesa do Senhor é desprezível (vv.6,7).

O estado moral deplorável dos sacerdotes de Israel foi aprofundado quando eles optaram por viver uma vida dissimulada. Mentiam sobre a oferta de sacrifício, no lugar de pão limpo, ofereciam o pão imundo (o que você acha que eles faziam com o pão limpo, o pão bom?). Levavam o animal cego, no lugar do perfeito; o animal coxo, no lugar do saudável. Mas para o povo os sacerdotes afirmavam e demonstravam que a oferta era boa e perfeita: a nação acreditava que eles ofereciam a Deus uma oferta exemplar. A sociedade judaica não sabia dos bastidores do Templo, ela não fazia ideia das conversas, dos acordos e das articulações que solapavam o bom senso e a sinceridade da alma.
Agora, Malaquias aprofunda a denúncia, não mais do ponto de vista da liturgia religiosa, mas do ponto de vista da vida pessoal e moral do sacerdote:

Não temos nós todos um mesmo Pai? Não nos criou um mesmo Deus? Por que seremos desleais uns para com os outros, profanando o concerto de nossos pais? Judá foi desleal, e abominação se cometeu em Israel e em Jerusalém; porque Judá profanou a santidade do Senhor, a qual ele ama, e se casou com a filha de deus estranho (2.10,11). 

Se há uma coisa que marca o caráter dos profetas do Antigo Testamento é quando eles chamam pelo nome toda sorte de dissimulação:


Porque o Senhor foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher do teu concerto. E não fez ele somente um, sobejando-lhe espírito? E por que somente um? Ele buscava uma semente de piedosos; portanto, guardai-vos em vosso espírito, e ninguém seja desleal para com a mulher da sua mocidade (Ml 2.14,15). 

O clamor do profeta passa longe da questão religiosa. Ele não está denunciando os sacerdotes por causa do status quor religioso. Malaquias os denuncia devido à natureza maligna dos seus atos. Da injustiça de trocar a mulher da mocidade por uma mais nova, vinda de uma terra estranha, praticante de uma religião bizarra. Por não respeitar a mãe dos seus filhos, a mulher que fez de tudo para ele chegar aonde havia chegado. O sacerdote não poderia “premiá-la”, trocando-a por apenas uma pulsão carnal e descontrole de sua volúpia manifesta mediante a ânsia do poder. Por isso, o Senhor diz:

Porque o Senhor, Deus de Israel, diz que aborrece o repúdio e aquele que encobre a violência com a sua veste, diz o Senhor dos Exércitos; portanto, guardai-vos em vosso espírito e não sejais desleais” (Ml 2.16).

O sacerdócio havia se transformado numa plataforma de poder político e econômico, onde o “representante de Deus” acreditava poder fazer todas as coisas, inclusive o absurdo de expulsar da sua vida a mãe dos seus filhos, a mulher da sua mocidade.
A máscara caiu!
Agora era notório para o povo!
Era pública a dissimulação dos líderes religiosos de Israel, eles não mais escondiam as suas prostituições. Só que com o tempo algumas pessoas foram despertando. Viram que se os sacerdotes estavam fazendo tudo isso mediante o “dinheiro” do povo (sim, pois o povo não dava ofertas defeituosas, elas só se mostravam assim após entrarem à dispensa do Templo), qual seria a lógica? Parar de financiar tudo isso. O povo parou de dar os dízimos e as ofertas.
Parar de dar dízimos e ofertas naquele contexto era estabelecer um caos social completo. Ora, os sacerdotes eram da Tribo de Levi. Esta era sustentada por intermédio dos dízimos e das ofertas de todo o povo. Embora, a classe sacerdotal estivesse mergulhada na dissimulação isso não significava que todos os sacerdotes estavam assim. Se o povo parasse de dar o dízimo, a Tribo de Levi estava fadada a desaparecer. Por isso, o profeta denunciava o estado deplorável do sacerdócio, mas estimulava o povo a voltar a dar o dízimo: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa” (Ml 3.10). Os sacerdotes auxiliares não poderiam pagar pela covardia dos oficiais. Deus não é injusto!
A crise dos dízimos e das ofertas não era uma questão apenas de infidelidade do povo. Mas, principalmente, da infidelidade dos sacerdotes.
No tempo de Jesus isso apenas havia se aprofundado e nosso Senhor não titubeou em desmascará-los também:

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!Pois que dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer essas coisas e não omitir aquelas. Condutores cegos! Coais um mosquito e engolis um camelo. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!Pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de iniquidade. Fariseu cego! Limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia. Assim, também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade (Mt 23.23-25).


Na questão moral, nosso Senhor também foi implacável com os tais:

Não tendes lido que, no princípio, o Criador os fez macho e fêmea e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem. Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio e repudiá-la? Disse-lhes ele: Moisés, por causa da dureza do vosso coração, vos permitiu repudiar vossa mulher; mas, ao princípio, não foi assim. Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério (Mt 19.4-9).

Para esses oficiais da lei nosso Senhor disse: “qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério”. Por que nosso Senhor foi tão duro? Porque os homens, principalmente os oficiais religiosos judeus, eram covardes com as suas mulheres. As repudiavam sem dó nem piedade. Depois iam para o Templo comer a Páscoa ou comemorar alguma festa sagrada como se nada houvesse acontecido.
O apodrecimento moral dos sacerdotes do Antigo Testamento e dos líderes do tempo de Jesus é o mesmo fenômeno em marcha com os líderes atuais.
A decisão da CONAMAD (Convenção Nacional das Assembleias de Deus Ministério Madureira) concernente a oficialização do divórcio para pastores que contraíram novas núpcias não trouxe nenhuma novidade. São certos tipos de pastores que vivem da igreja, ganham altos salários e não querem perder o privilégio. Entretanto, é imensa a influência negativa que uma decisão oficial tomada na instância maior de uma denominação pode trazer à mente de um membro (um jovem, um adolescente e um novo convertido). Banalizar a instituição do casamento como a CONAMAD banalizou com uma decisão como a que tomou é estimular a licenciosidade entre os jovens e a igreja como um todo. Só mostra o apodrecimento moral e espiritual de alguns líderes que se chamam pastores “ungidos” de Deus.

O triste é que as críticas a tal decisão não vêem por nenhum pastor, ao menos até o momento não vi nenhuma, mas por membros insatisfeitos, quase que num arroubo profético, desejando corretamente que este estado de dissimulação não se perpetue − veja abaixo:


Uma verdadeira profeta vociferando no "espírito" dos profetas do Antigo Testamento. É a indignação de quem percebe o absurdo de uma oficialização com esta:


Portanto, independente de tudo, cuide do seu coração, da sua mente e leia o Evangelho. Leia sempre os Evangelhos, mas com calma, mediante a graça de Deus e, em seguida, olhe para a sua realidade e você não se surpreenderá com tantos e tantos escândalos que ainda virão, pois como disse Jesus: “é só o princípio das dores”.

Coisas maiores tu verás!

terça-feira, 21 de julho de 2015

Acolhido por Deus

Dê uma olhada nesta porção do Evangelho:
“Jesus o viu deitado e, sendo informado de que ele estava nesse estado já desde muito tempo, disse-lhe: ‘Queres ficar curado?’ [...] E imediatamente o homem ficou curado; tomou a maca e andava. Ora, aquele dia era um dia de sábado” (Jo 5.6,9; cf. 5.1-18).
É comum falarmos: “Deus é misericordioso”; “Deus é bom”; “Deus é amor”; “Pai da misericórdia”. Mais que expressarmos a bondade de Deus, eu e você precisamos experimentá-la.
O enfermo do capítulo 5 do Evangelho de João era considerado impuro e pecador. O dia que Jesus escolheu devolver a vida para ele era SÁBADO. Neste dia, para a tradição judaica, carregar “maca” ou somente “andar” era pecado contra a Lei.
Deus é bondoso!
Jesus, misericordioso!
Ele curou num sábado!
Para Jesus, embora sejam importantes e tenham certo sentido, se as convenções dos homens prejudicarem a dignidade humana, Ele as relativiza para fazer o bem: porque a Lei do Amor é maior que a lei dos homens.
A Lei do Amor é divina!
Você caiu e se machucou no chão da vida, da sua existência? Tudo bem! É doloroso, sofrido e angustiante. Mas pare um pouquinho e reflita:
Não é o fim!
A sua existência não desmoronou!
Você é imagem e semelhança de Deus!
Sinta-se acolhido (a) pelo amor do Pai. No momento do assombro do desespero, precisamos, e devemos, experimentar a misericórdia graciosa do Altíssimo. Ainda que as opiniões humanas, muitas vezes não lembrem em nada o amor de Deus. Porém, o Evangelho apresenta esse amor nas últimas consequências.
Deus ama você!
Jesus ama você!
Portanto, há razões de sobra para o seu dia se tornar doce.
Paz e Bem!

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Patriarcas e Matriarcas dos Tempos Bíblicos: Os Primórdios do Povo de Deus

Por Marcelo Oliveira de Oliveira

Nas Sagradas Escrituras, algumas personagens se destacam pelo exemplo de fidelidade a Deus, de amor e compromisso pela própria comunidade ― no caso do Antigo Testamento, o amor deles pela família nuclear e, posteriormente, pelo clã[1]. Normalmente, elas se destacam como homens, e somente lembramos o aspecto masculino dessas personagens nômades, esquecendo-nos de que, igualmente, as mulheres desempenharam um papel importante junto ao povo de Deus e para a história política, social e religiosa de Israel e, principalmente: para a Igreja. Me refiro aos patriarcas e as matriarcas dos tempos bíblicos: Abraão e Sara; Isaque e Rebeca; Jacó e Raquel.

As narrativas bíblicas desses patriarcas e matriarcas estão nos capítulos 12 a 50 do primeiro livro da Bíblia, o Gênesis. Em teologia, os estudiosos classificam “narrativas patriarcais” às histórias dos três casais, que juntamente com os seus filhos, formam a pré-história da nação de Israel. Antes de a nação tomar posse da terra de Canaã, havia memórias, histórias com base na oralidade do povo ancestral daquela geração que conquistou Canaã, contadas pelos ancestrais e reunidas por um autor[2] a fim de formar a história tribal mais antiga do povo de Israel; antes mesmo de começar a viver como tribos na antiga Palestina.

Então o que representava os principais patriarcas e matriarcas dos tempos bíblicos?

1. Abraão e Sara. O nome Abraão significa “pai de uma multidão”. Em Cristo ele é o nosso pai na fé (Gl 3.6-9). É com Abraão que se inicia a história da salvação da reconciliação de Deus com o mundo todo: a história da salvação. Exemplo de fidelidade a Deus, Abraão partiu para uma terra desconhecida crendo na promessa. Sua grande prova de fé foi a entrega de seu filho para ser sacrificado. Sua esposa Sara (cujo nome significa princesa) é a mãe de uma multidão que também disse sim a promessa de Deus, que em Cristo é a nossa mãe na fé.

2. Isaque e Rebeca. Isaque significa “Deus ri”. Filho de Abraão e Sara, quase foi sacrificado pelo pai. No final de sua vida foi enganado pela sua esposa, Rebeca, e por seu filho, Jacó, em troca da bênção da primogenitura. Rebeca lutara por Jacó, Isaque, por Esaú: nações divididas dentro de casa.

3. Jacó e Raquel. O nome de Jacó significa “malandro”. Entretanto, no sul da Arábia e na Etiópia significa “que Deus proteja”.[3] Filho de Isaque e Rebeca, teria o nome de “malandro” devido o roubo da primogenitura do seu irmão, Esaú. Mais tarde recebe o nome de “Israel”. A partir de Israel, por intermédio dos seus doze filhos, começa a se “rascunhar” o projeto de povo e nação. A fidelidade de Israel a Deus, embora passando por provações, aponta para o nascimento de um povo. Jacó amava a sua esposa Raquel: a nação de Israel chorou sua morte e morte dos seus filhos por séculos.

Sobre esse trio de casais patriarcais e matriarcais, a carta aos Hebreus traz uma concepção de fé intrigante, na contramão do que popularmente se entende por resultados da fé no mundo evangélico:

Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas, mas, vendo-as de longe, e crendo nelas, e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra” (11.13).

Paz e Bem!


[1] No aspecto antropológico, é o conjunto de famílias que se presumem ou são descendentes de ancestrais comuns.
[2] Os mais recentes estudos, embasados na teoria das fontes, formando uma tradição literária nos cinco primeiros livros da Bíblia (o Pentateuco), apontam quatro fontes principais presentes no texto contemporâneo do Pentateuco: a eloísta, a javista, a sacerdotal e a deuteronomista. (Para conhecer mais sobre essa tradição literária clique em As Tradições Orais do Pentateuco ― o texto é um trabalho de pesquisa apresentado à cadeira Antigo Testamento I da FATER - Faculdade de Teologia e Ciências Sociais do Recife ).
[3] Dicionário Bíblico Wycliffe, CPAD, p.1004.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Hoje a Assembleia de Deus faz 104 anos: Como vou comemorar?


Marcelo Oliveira de Oliveira

Hoje, 18 de Junho, comemoramos 104 anos de Assembleia de Deus no Brasil. A minha maneira de comemorar essa data é comentando uma recente pesquisa elaborada pelo cientista da religião Gedeon Freire de Alencar, publicada na Revista Reflexus (Ano VIII, n.12, 2014/12) ― uma revista especializada da Faculdade Unida, ES.

“Hoje diversos pastores assembleianos têm formação universitária. Quem são essas pessoas? O que pensam sobre os temas doutrinários e institucionais internos da denominação e também sobre os problemas externos que dizem respeito à sociedade em que vivem” (p.3): É o que pretende responder o pesquisador.
Nós, membros da Assembleia de Deus no Brasil, e de seus respectivos ministérios, precisamos compreender o “caráter continental” e plural da nossa denominação, respondendo às perguntas diretas, sem rodeios e honestas. Isso não significa elogio à pesquisa do doutor Gedeon, pois não podíamos esperar outra coisa de sua pena ― obras como “Protestantismo Tupiniquim”, “Assembleias de Deus” e “Matriz Pentecostal Brasileira” dão conta da seriedade e da competência do pesquisador. A questão é o que os ministros da Assembleia de Deus poderão fazer com informações que pretendem descortinar a realidade e a práxis ministerial de nossa igreja?

O público da pesquisa de Gedeon Freire de Alencar é formado por um universo de pessoas com o ensino superior completo, oriundo de diversas regiões do Brasil. Como a pesquisa foi feita via internet, a amostra da diversidade da denominação no país está garantida. Esses pastores são oriundos de diversas convenções regionais e estaduais ligadas às duas principais convenções nacionais: CONAMAD (Assembleia de Deus em Madureira) e CGADB (Assembleia de Deus da Missão); bem como convenções e ministérios autônomos e igrejas assembleianas diversas que reúnem pastores assembleianos independentes.

Entretanto, o pesquisador menciona um problema que pode mostrar um ponto fraco da pesquisa: é possível as perguntas terem sido respondidas por não-pastores assembleianos e sem formação de Ensino Superior. Todavia, o autor contrapõe essa dificuldade com a seguinte reposta: “com ou sem a titulação ‘pastor assembleiano’ ou o grau universitário, uma pessoa de fora desta igreja (sem conhecimento interno do funcionamento de suas estruturas, de sua história e teologia) não conseguiria responder, pois as questões pedem um conhecimento quase ‘esotérico’. Ademais, o questionário foi montado de forma que sem responder alguma pergunta não se podia avançar; ou seja, todas tinham respostas obrigatórias” (p.6). Como toda pesquisa científica que se preza, a informação completa e honesta deve ser repassada ao leitor, tanto o seu ponto positivo quanto o seu ponto negativo.

Em suma, a pesquisa está dividida em quatro grandes blocos: questões pessoais, doutrinárias, institucionais, políticas e sociais. Com respostas graduais que variam em absolutamente a favor, a favor, indiferente, contra e absolutamente contra.

Por isso, ser importante a os ministros e demais membros de nossa instituição acessar as informações dessa pesquisa, pois conhecê-las, entendê-las e pensá-las é necessário para propormos novos passos em cada universo local em que a nossa congregação estiver alocada. Sem dúvida, as informações do pesquisador Gedeon Alencar têm muito a nos acrescentar ministerialmente, culturalmente e institucionalmente.



Rio de Janeiro, 18 de Junho de 2015.