sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

POR QUE NÃO SOU REFORMADO?


1. Porque creio na soberania divina sem excluir a liberdade humana e a sua capacidade de lidar com as próprias consequências.
2. Porque apesar de respeitar e de recorrer a tradição histórica das interpretações das Escrituras e da espiritualidade, definitivamente, penso eu, os reformadores não têm a última palavra sobre a Bíblia e a vida cristã.
3. Porque creio que o espírito do Evangelho está para além das instituições. Apesar de os ritos terem importâncias simbólicas, eles sufocam a liberdade no Espírito.
4. Porque não creio numa complexidade de burocracias eclesiásticas como elemento benéfico para a Igreja.   
5. Porque creio na atualidade dos Dons Espirituais e na plena realização destes através de pessoas simples, mas contrita e sincera (os leigos).
6. Porque creio no Batismo no Espírito Santo como uma segunda bênção extraordinária e inexplicável após a conversão.
7. Porque creio no dom de línguas, não apenas como idiomas humanos (xenolalia), mas como uma linguagem desconhecida concedida pela Graça de Deus, ainda que o meu entendimento não se beneficie dela (glossolalia).
8. Porque creio quando oro em línguas que o meu espírito edifica-se.
9. Porque apesar das Escrituras serem a única regra de fé e prática do cristão, a experiência mística com o Sagrado é essencial para a vida do discípulo de Jesus de Nazaré.
10. Porque sou brasileiro e como tal devo pensar com categorias que dialoguem com a minha cultura. Apesar de a fé reformada ser rica, ela é fruto da cultura europeia. Esta nem sempre terá respostas para a América Latina.

Paz e Bem!


6 comentários:

Marcos Rodrigues disse...

Irmão Marcelo, tomo a liberdade de postar um comentário a respeito da difícil questão entre a soberania divina e a responsabilidade humana.

"Deus decreta a salvação sem desprezar esforço (2Ts 2:13). Orígenes, em seu livro contra Celsus, observa um sutil argumento daqueles que discutem sobre sorte e destino. Alguém deu um conselho ao seu amigo doente de que não fosse para o médico porque, ele disse, está escrito pelo destino se você vai se recuperar ou não. Se for seu destino recuperar-se então você não precisa do médico, e se não for seu destino, então o médico não lhe fará nenhum bem.
A mesma falácia é usada pelo diabo contra os homens. Ele os induz a não se empenharem. Se Deus tiver decretado que eles serão salvos, eles serão salvos e não há necessidade de porfiar. Se Ele não tiver decretado sua salvação, então o trabalho deles não lhes fará nenhum bem. Este é um argumento retirado do pensamento do diabo. Mas dizemos que Deus decreta o fim usando os meios.
Deus decretou que Israel entraria em Canaã, contudo primeiro eles deveriam lutar contra os filhos de Anaque. Deus decretou que Ezequias deveria recuperar-se de sua doença, porém ordenou que colocasse pasta de figos como emplasto sobre as chagas. (Is. 38:21). Não usamos tais argumentos em outros assuntos. Um homem não diz: "Se Deus decretou que eu terei uma colheita este ano, eu terei uma colheita este ano! Por que eu terei que arar, semear ou adubar a terra?". Não, ele usará os meios e esperará pela colheita. Embora "a bênção do Senhor é que enriquece" (Prov. 10:22), e isso é uma verdade, "a mão dos diligentes enriquece"(Prov. 10:4).
Os decretos de Deus são executados através de nosso trabalho.
Thomas Watson
In: Os puritanos e a conversão'

Marcos Rodrigues disse...

Apesar de ter muita simpatia pela Teologia Reformada, particularmente não assumo nenhuma em especial. Procuro reter o que de melhor existe entre as diversas correntes teológicas tendo por alvo meu crescimento espiritual.

Marcelo de Oliveira e Oliveira disse...

Irmão Marcos,

Paz e Bem!

Desculpe a demora em liberar os seus comentários. Apenas hoje pude entrar no blog.
Concordo absolutamente com o irmão. Creio que o trabalho daqueles que pesquisam teologia passa por compreender várias das correntes teológicas disponíveis, tendo sempre como esteio as Escrituras Sagradas (Aqui a exegese é indispensável).
Também me simpatizo pela Teologia Reformada (atualmente estou lendo "Depressão Espiritual” de Martin Lordy-Jones, um dos meus pregadores favoritos). Como conversávamos na Faculdade, nunca tive problemas sobre a relação entre soberania divina e o livre-arbítrio humano. O problema se dá na maneira que encaramos a dinâmica destas questões. Deus só é soberano quando suspende a vontade humana? A vontade humana sempre é contrária a de Deus? Penso que o texto que o irmão citou responde, em parte, estas questões. Mas ele fica ainda na epiderme do problema. Pois este debate é antigo e não tem vencedor.
De acordo com o irmão, também me recuso cair no rol das conceituações. Por isso não sou reformado e muito menos arminiano, procuro apenas ser bíblico.

Um abraço,

M.O.O.
Rio de Janeiro, RJ.

Marcelo de Oliveira e Oliveira disse...

Irmão Marcos,

Precisamos é de seriedade no trato da interpretação bíblica (exegese, teologia bíblica, etc.). Mesmo que esta venha por em xeque o nosso sistema teológico. De acordo com Rodan, autor da obra "Para que Serve a Teologia", quando descobrimos que a Bíblia fala diferentemente do sistema teológico que seguimos, resta apenas duas opções: (1) se curvar a Bíblia e alterar o nosso sistema teológico; (2) ou alterar a Bíblia e continuar com o mesmo sistema. Infelizmente, a segunda opção sempre é a escolhida.

abç,

M.O.O.
Rio de Janeiro, RJ.

Marcos Rodrigues disse...

Irmão Marcelo,

Envio este excelente link com uma série de pregações sobre o profeta Habacuque ministrada pelo pr. Franklin Ferreira. Espero que goste:

http://www.escolacharlesspurgeon.com.br/nav/pregacoes/media.cshtml?mType=1&authContent=true&authId=2&midId=549

Marcelo de Oliveira e Oliveira disse...

Grato, irmão Marcos.

M.O.O.
Rio de Janeiro, RJ.