quinta-feira, 8 de outubro de 2015

MARINA SILVA, A REDE E O ESTATUTO DA FAMÍLIA

Marcelo Oliveira de Oliveira

Chamou-me a atenção, a desonestidade intelectual de alguns blogueiros sobre a conduta moral e espiritual da ex-senadora do Acre, Marina Silva. Uma militante política desde a sua mocidade. Bem verdade, iniciou sua militância sob a influência da Teologia da Libertação, propagada pelos irmãos Boff, aqui no Brasil. Por esse projeto, ela foi alfabetizada aos 16 anos. Depois, como uma das fundadoras do PT ingressou na política partidária e tornou-se a vereadora mais bem votada nas eleições de Rio Branco, no Estado do Acre, em 1988. Em 1990, foi eleita a deputada estadual mais bem votada no estado acreano. Em 1994, foi eleita senadora da República aos 36 anos e reeleita em 2002. Em 2003 foi convocada por Luiz Inácio Lula da Silva, então presidente da República, para ser ministra do Meio Ambiente. Vindo a concorrer à presidência da República em 2010 e 2014 (acidentalmente) respectivamente. Cabe pontuar: a lisura, o testemunho de seguidora de Jesus da ex-senadora é exemplar!
Entretanto, foi no mandato de senadora que a ex-ministra teve uma experiência religiosa com o Cristo da fé, de natureza pentecostal. Assim, ela tornou-se membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus. Coerente com suas convicções, sobretudo, as do Evangelho, renunciou ao Ministério do Meio Ambiente e, por entender que o ciclo de suas convicções não mais se adequava ao Partido dos Trabalhadores, deixou a sigla. Os grandes embates da ex-senadora foram sempre de natureza ética.
Nos últimos dias, o partido Rede Sustentabilidade, da ex-senadora Marina Silva, teve aceitado pelo TSE o pedido de registro oficial. Agora, o partido é partido de fato. Concomitantemente, uma semana depois, o Rede soltou uma nota de repúdio à aprovação do Estatuto da Família. Suficiente para a blogosfera evangélica iniciar uma onda de ataques a ex-senadora Marina Silva.
Antes de pontuar quaisquer ilações, deve-se levar em conta que, no Brasil, à exceção do PSC, nenhum partido político defende os valores tradicionais da família. Por um simples motivo: a maioria reconhece as novas configurações familiares presentes na sociedade. Equivocadamente chamado partido de direita, o PSDB reconheceu isso:

Diversidade LGBT do PSDB cobra esclarecimentos de deputada que votou a favor do Estatuto da Família (a deputada Geovana de Sá que votou a favor do Estatuto pode ser até interpelada pela direção do partido). Leia!

A partir do fato exposto, deveríamos nos fazer algumas perguntas:

1.      A nota do partido representa o pensamento de Marina Silva?
2.      A ex-senadora Marina defende mesmo o Casamento Homossexual?
3.      A ex-senadora, de fato, não defende o conceito de família exposto nas Escrituras?

Em eleições anteriores, Marina Silva já deixou claras suas respostas às três perguntas acima. Ora, a nota não quer dizer que o pensamento da senadora seja o mesmo do partido, o que é muito comum em política; a ex-senadora já deixou claro que ela não é a favor do casamento homossexual; e, por consequência, Marina Silva tem sim o conceito de família exposto conforme as Escrituras.
Entretanto, como agente pública, ela entende corretamente que o Estado tem o dever em reconhecer algumas composições sociológicas que fogem do padrão da família tradicional. Ou seja, se há duas pessoas do mesmo sexo vivendo juntas há anos, o Estado deve regularizar tal união para fins de herança, benefícios previdenciários etc. O que está em jogo aqui não é a fé, mas o direito de algumas pessoas. O Estado não pode se furtar de reconhecer uma realidade. Pessoas do mesmo sexo vivendo juntas há 15, 20 ou 30 anos é um fato, e o Estado não pode se omitir sob pena de cometer injustiças jurídicas e previdenciárias. O que não quer dizer que a ex-senadora defenda o casamento de homossexuais, mas o simples reconhecimento jurídico dessas uniões.
O que não se pode fazer é injustiça. Atacar a espiritualidade de uma serva de Deus porque o pensamento político não bate com o do outro é obscurantismo. No meio evangélico, o debate de direita e esquerda está acirrado. Não à toa, muitos até colocam Marina como membro do foro de São Paulo (o que não é verdade). Acusando-a de agente da revolução cultural em marcha no Brasil e na América Latina. Há tempos Marina rompeu com esse tipo de política de embate entre os ricos e pobres ou vice e versa. Exatamente isso que a distancia da esquerda tradicional do PT.
Marina está numa situação difícil, acusada de direitista pelos esquerdistas e de esquerdista disfarçada pelos direitistas. Quando não é uma coisa nem outra. Algumas pessoas ainda não entendem que o mundo de hoje não cabe mais sistemas fechados de classificação política. Se pode muito bem fazer uma simbiose entre o que há de melhor na direita e na esquerda. É a síntese que interessa e não mais a Tese e a Antítese.
Por isso, mais respeito com Marina Silva! Ela é uma serva de Cristo, portadora da Palavra, missonária, mulher dedicada às coisas de Deus e uma vocacionada para a política com uma autoridade moral que falta há muitos que se dizem membros da Bancada Evangélica.

Paz e Bem!