sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A PRIMEIRA E A SEGUNDA RESSURREIÇÃO: QUEM FARÁ PARTE?

Marcelo Oliveira de Oliveira

Nesta semana recebi questionamentos sobre a lição deste domingo, a de número 5, da Revista Lições Bíblicas CPAD, onde o comentarista, abordando sobre o tema escatológico da primeira e da segunda ressurreição, afirma: “Contudo, na primeira ressurreição, farão também parte desse evento glorioso: ‘as duas testemunhas’ (Ap 11.1-12; o grupo dos ‘mártires’, aqueles que aceitarão a Cristo na ‘grande tribulação’ (Ap 20.5,6)” (Revista do Professor, pág. 38 – Lição 5, 1º Tópico, 2º subtópico).

A grande dúvida é sobre o evento da Primeira Ressurreição descrita em Apocalipse 20.4-6. Antes de avançarmos é importante destacar que a explicação ora exposta neste espaço virtual segue a linha oficial de interpretação das Assembleias de Deus no Brasil, isto é, o Pré-milenismo-dispensacionalista-pré-tribulacionista.[1] Naturalmente, há irmãos em Cristo que compreendem de maneira diferente o capítulo 20 de Apocalipse e a doutrina do Arrebatamento. Como esse texto é voltado para os professores da Escola Dominical que usam a revista da CPAD, é importante respeitarmos a linha oficial de interpretação da nossa denominação.

     “As Duas testemunhas” e os “Mártires” farão parte da Primeira Ressurreição? O problema desta pergunta é que muitos confundem a Primeira Ressurreição como sendo apenas o evento escatológico do Arrebatamento. O texto de Apocalipse 20 diz que “bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição” (v.6). Quem são estas pessoas que têm parte na Primeira Ressurreição? O versículo 4 responde: “as almas daqueles degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam o sinal na testa nem na mão”. Essas pessoas são o grupo de “Mártires” provenientes da Grande Tribulação. Aqueles que resistiram e enfrentaram a rebelião do Anticristo.  

    No mesmo período dos Mártires, ou seja, na Grande Tribulação, e após serem mortas, as “Duas Testemunhas” serão ressuscitadas, pois igual aos mártires, elas resistiram e denunciaram o engano do Anticristo, além de proclamar a mensagem de Deus (Ap 11.1-14). Logo, o grupo dos “Mártires” e as Duas Testemunhas têm parte na Primeira Ressurreição. Algumas pessoas discordam exatamente neste ponto! Por compreenderam a Primeira Ressurreição como se fosse apenas o evento do Arrebatamento, alguns irmãos pensam que o comentarista da lição equivocou-se ao afirmar: “Contudo, na primeira ressurreição, farão também parte desse evento glorioso: ‘as duas testemunhas’ (Ap 11.1-12); o grupo dos ‘mártires’, aqueles que aceitarão a Cristo na ‘grande tribulação’ (Ap 20.5,6)”. O que não é verdade, pois de acordo com a interpretação clássica do Pré-Tribulacionismo, não há erro nesta afirmativa. Vejamos.

     O Pré-Tribulacionismo Clássico, com base em Apocalipse 20, entende que se pode dividir o fenômeno da ressurreição escatológica em dois momentos: Primeira Ressurreição [salvos] e Segunda Ressurreição [ímpios]. Esta última se refere à ressurreição dos ímpios diante do Trono Branco, como está narrado em Apocalipse 20.11-15. Aquela Primeira Ressurreição diz respeito a todos os salvos em Cristo e não se dá apenas em único evento. Ou seja, a Primeira Ressurreição se dá em vários eventos em que se refere exclusivamente à ressurreição dos crentes. Neste aspecto, a Primeira Ressurreição ocorre várias vezes ao longo da história humana:

1.      A Ressurreição do Salvador, as primícias da Primeira Ressurreição (Rm 6.8; 1 Co 15.20,23; Cl 1.18; Ap 1.18);
2.     Os santos do Antigo Testamento. Mateus narra que, por ocasião da morte de Jesus, os túmulos de muitos santos foram abertos e estas pessoas apareceram na cidade como sinal de confirmação de que Jesus era o Messias (Mt 27.50-54; cf. Dn 12.1-2).[2]
3.      Os salvos que morreram antes da volta do Senhor (1 Co 15.51; 1 Ts 4.13-18).
4.     As Duas Testemunhas do Apocalipse (Ap 11.1-14).
5.      “Os mártires da Tribulação. Apocalipse 20.4-6 identifica os mortos martirizados na Tribulação como aqueles que serão ressuscitados na segunda vinda de Cristo, a fim de reinarem com Ele por mil anos”.[3]     

       Neste caso, não há erro em afirmar que, além da Igreja de Cristo ser arrebatada nos Céus, as Duas Testemunhas e o grupo de Mártires farão parte da Primeira Ressurreição. É o que está textualmente claro em Apocalipse 20.4-6. Ora, os santos do Antigo Testamento, a Igreja arrebatada, as Duas Testemunhas e os Mártires estarão para sempre com o Senhor: esta é a Primeira Ressurreição (Ap 20.6). Logo, a segunda ressurreição se refere somente aos ímpios que se rebelaram contra Deus: quando se dará o julgamento diante do trono Branco, o Juízo Final (Ap 20.11-15).

      O que deve ficar claro para quem estudará a lição deste domingo, em primeiro lugar, é que devemos conservar a esperança na Vinda do Senhor, pois Ele pode voltar a qualquer momento. A sua vinda é iminente! Os apóstolos tinham essa esperança e devemos conservá-la também. Anelar pela vinda do Senhor! Isto requer um exercício de nos tornarmos menos materialistas e mais espirituais. Em segundo lugar: que haverá um juízo de Deus, onde os homens prestarão contas de seus atos e ações perante o justo juiz.

Portanto, não precisamos nos prender em detalhes, mas focar no mais importante, no indispensável: o nosso Rei virá! Veremos a Jesus! É nutrir o povo de Deus com esperança, e não medo; com alegria, e não tristeza; com paz, e não turbação. Afinal, “agora, vemos por espelho em enigma; mas, então, veremos face a face; agora, conheço em parte, mas, então, conhecerei como também sou conhecido” (1 Co 13.12).

Paz e Bem!

Indicação Bibliográfica
Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento, CPAD.
Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica, CPAD.


[1] Aqui, cito o meu artigo da Revista Ensinador Cristão nº 65 e página 38: “Caro professor, a doutrina da Segunda Vinda do Senhor tem dois aspectos que precisam ser destacados: o secreto e o público. São duas as etapas que constituem a Segunda Vinda do Senhor. A primeira é visível somente para a Igreja, mas invisível ao mundo; a segunda etapa é visível a todas as pessoas, pois “todo olho verá”. Na presente lição, o aspecto tratado será o primeiro, ou seja, a doutrina do Arrebatamento da Igreja.
Ao introduzir a lição desta semana na classe, defina o termo “arrebatamento”. Mostre aos alunos que o termo se origina da palavra grega harpagêsometha que significa “àquilo que é frequentemente chamado”. Refere-se à ideia de se encontrar com o Senhor para celebrá-lo como Ele é. A ideia de nos encontrarmos com o Senhor faz um paralelo com 1 Tessalonicenses 4.15, onde a palavra parousia aparece determinando os seguintes significados: “presença” e “vinda” do Senhor. Por isso, há algumas linhas de pensamentos distintas, em que outros irmãos em Cristo consideram que o Arrebatamento e a Vinda Gloriosa serão um só evento.
Entretanto, o contexto do Arrebatamento como um acontecimento distinto à Vinda Gloriosa está nos escritos do apóstolo Paulo. Este tinha em mente o arrebatamento quando exortava os crentes do Novo Testamento a terem esperança: “nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Ts 4.17). Textos como o de Colossensses 3.4 e o de Judas v.14 dão conta dos crentes voltando com Cristo para julgarem os ímpios após o Arrebatamento da Igreja.

Múltiplas Correntes Escatológicas concernentes ao Arrebatamento

Pré-Milenismo
Amilenismo
Pós-Milenismo
O Pré-Milenismo está dividido em Histórico e Dispensasionalista.
O Dispensasionalismo está dividido em:
  • Pré-Tribulacionista
  • Meso-Tribulacionista
  • Pós-Tribulacionista
O Amilenismo tem um entendimento de que na Segunda Vinda de Jesus, o Arrebatamento e a Parousia estarão conectadas, isto é, serão um só acontecimento, seguindo assim o Juízo Final.
Igualmente, o Pós-Milenismo entende que na Segunda Vinda de Jesus, o Arrebatamento e a Parousia estarão conectadas, isto é, serão um só evento, seguindo assim o Juízo Final.

As Assembleias de Deus no Brasil adotam a corrente Pré-Milenista-Dispensacionalista-Pré-Tribulacionista, onde o Arrebatamento da Igreja ocorrerá antes dos sete anos de Grande Tribulação.


[2] A seção do texto de Mateus mostra diversos acontecimentos miraculosos que os estudiosos chamam de testemunhos apocalípticos: o véu do Templo se rasgou de alto a baixo (v.51); o terremoto da terra, a abertura dos sepulcros (v.52) (cf. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento, CPAD, p.150-52).

[3] Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica, CPAD, p.402. Cf. É importante ressaltar o comentário de Timothy P. Jenney, um pentecostal erudito americano, que mostra outra possibilidade dos mártires descritos em Apocalipse 20: “Quem fará parte da primeira ressurreição? (20.5) O Apocalipse descreve aqueles que ressuscitaram aqui como ‘aqueles que foram degolados’ (v.4). No Império Romano, a decapitação era o castigo pela traição cometida por um cidadão. Uma interpretação estritamente literal limitaria a primeira ressurreição apenas àqueles que foram martirizados dessa forma (omitindo, assim, aqueles que morreram pela espada, animais selvagens, crucificação, etc.). Porém outros argumentam que a frase é apenas uma figura retórica, uma metonímia, na qual apenas a referência a uma parte indica o conjunto (por exemplo, a frase ‘dez cabeças de gado’ indica, geralmente, dez animais inteiros, e não apenas suas cabeças). Se essa frase for uma metonímia, ela pode significar ‘todos os mártires’ ou ‘qualquer um que tenha dado a vida por Deus’, através do martírio ou não. Atualmente, estudiosos em geral entendem essa frase conforme esse último sentido, onde os mártires representam, simplesmente, o exemplo ideal e mais elevado de uma morte virtuosa. ‘Os outros mortos’ (v.5) serão julgados como os pecadores” (Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento, CPAD, p.1918).


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

UM ADEUS AO MEU PAI NA FÉ: OVENCÍLIO VIEIRA

Irmão Ovencílio era aquele pregador de uma mensagem só: Jesus está voltando. Até hoje não conheci ninguém como ele que vivesse como se Jesus voltasse a qualquer momento, sendo, por isso, até mau compreendido. Mas se tratava de uma verdade interna que não tinha como ele esconder senão expressar para todos quantos pudessem ouvir: Jesus está voltando.

Irmão Ovencílio também era um profeta. Inclusive profetizou para mim de maneira admoestadora:
― Marcelo, você vai ao diaconato; vai ao presbitério; vai à evangelista; vai ao pastorado. Mas quando chegar lá desça mais. Humilha-se mais! Deus não te quer como ioiô na mão de líderes, fazendo o jogo desse mercado em que se transformou a igreja evangélica. 

Jamais esqueci desta admoestação profética!

Um homem experimentado que sofreu e aprendeu o verdadeiro sentido do Evangelho mesmo sob a árdua experiência da vida e as decepções eclesiásticas. Mas diante de todas as decepções, ele não perdeu a pureza do Evangelho. Sua confiança em Jesus e no Reino de Deus nunca foi abalada.

Quantas frases me ensinaram no caminho da sua existência:
― Irmão Ovencílio, como vai o Senhor?
― Estou melhor do que mereço ― respondia.

Outra pequena pérola que me serviu de aprendizado e consolo:
“Olhemos para Jesus e depois para nós mesmos, porque pela perfeição de Jesus nós corrigimos as nossas imperfeições”.

Após vários meses de luta pela vida, o irmão Ovencílio partiu para o Senhor. Agora, Ele está de fato com Cristo: a grande esperança do seu coração. Nós que ficamos, acolhamos o seu exemplo como homem de Deus e aguardemos com confiança a consumação de todas as coisas.

Muito obrigado, irmão Ovencílio, pelo privilégio em participar da sua existência!

Nossos votos de sentimentos, meu e de minha esposa Gilmara, à irmã Ester, sua esposa, e aos seus filhos.

E a toda a família que neste momento está de luto.


Em Cristo, um dia nos encontraremos!

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Lições Bíblicas CPAD: ESCATOLOGIA - 1º TRI 2016



O currículo de Escola Dominical CPAD é um aprendizado que acompanha toda a família. A cada trimestre, um reforço espiritual para aqueles que desejam edificar suas vidas na Palavra de Deus. Neste 1º trimestre de 2016, estudaremos: O Final de Todas as Coisas Esperança e Glória para os Salvos 
Comentário: Pr. Elinaldo Renovato de Lima

Sumário: 
Lição 1 - Escatologia, o Estudo das Últimas Coisas 
Lição 2 - Sinais que Antecedem a Volta de Cristo 
Lição 3 - Esperando a Volta de Jesus 
Lição 4 - Esteja Alerta e Vigilante, Jesus Voltará 
Lição 5 - O Arrebatamento da Igreja 
Lição 6 - O Tribunal de Cristo e os Galardões 
Lição 7 - As Bodas do Cordeiro 
Lição 8 - A Grande Tribulação 
Lição 9 - A Vinda de Jesus em Glória 
Lição 10 - Milênio - Um Tempo Glorioso para a Terra 
Lição 11 - O Juízo Final 
Lição 12 - Novos Céus e Nova Terra 
Lição 13 - O Destino Final dos Mortos


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

QUANDO A DOR DA MORTE E DO LUTO CHEGAR

Em algumas partes do meio evangélico pentecostal, uma mãe chorar a morte do filho ou a esposa sofrer a partida repentina do esposo é “pecado”. Quer-se a todo custo que a pessoa enlutada permaneça firme na “obra de Deus”. Infelizmente, esse pensamento faz parte de uma perspectiva teológica equivocada e sem contexto de que os “mortos devem enterrar o seus mortos” e de que não há tempo para o “servo de Deus” sofrer as agruras da vida porque a “obra de Deus” não pode parar. Pessoas que pensam assim, não têm noção de que a maior obra de Deus, neste caso, é consolar quem perdeu o seu ente querido: “Se alguém entre vós cuida ser religioso e não refreia a sua língua, antes, engana o seu coração, a religião desse é vã. A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg 1.26,27).
Que tristeza ver pessoas se desumanizarem em nome de uma fé que nada tem a ver com o Evangelho! Pior ainda é contemplar gente disferindo ataques contra o dia de finados pensando defender a fé cristã. Não vou tão longe, no sentido de fazer culto aos mortos, pois pelo Evangelho eu sei que Deus é o Deus de vivos e que quaisquer pessoas que, em Cristo, passaram da vida para morte estão vivas. Entretanto, a memória de quem se foi deve ser preservada sim. A mãe deve viver o luto da passagem do seu filho. Ora, imagine a dor! Imagine o sofrimento! Imagine a angústia!
No luto, o tempo é de parar e de se recolher. É tempo de repensar a vida. É tempo da comunidade dos santos sair das quatro paredes para consolar, abrandar o sofrimento e dar o absoluto apoio para a pessoa enlutada. Não é tempo de cobrar a ausência aos cultos da pessoa enlutada.
Por favor, não faça isso!
Embora eu entenda que pode haver a mais pura e doce intenção nessa cobrança, isso soa despreocupação com o estado existencial de quem perdeu o ente querido.
Recentemente, aconselhei uma pessoa dilacerada pela dor da perda e pela dor de não ter achado em sua igreja local o consolo e o abraço amigo. Isso ocorreu fora do Rio de Janeiro.
Como é triste batalhar a vida inteira pela causa do Evangelho e quando se mais precisar não achar apoio onde deveria havê-lo em primeiro lugar: “visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações” (Tg 1.27).
Com muito amor e carinho, a senhora sofrida ouviu de minha boca as palavras pelas quais passo a relatar: Minha irmã, ignore totalmente as palavras de quem pensa assim, pois ela não sabe o que diz. Não adianta persistir! Essa pessoa não entenderá o que realmente importa na causa do Evangelho. Quanto à senhora, chore a morte da sua filha. Chore, porque Jesus chorou a morte do seu amigo Lázaro, o que significa que o nosso Senhor compreende bem o que a senhora está sentindo. Leia diariamente os salmos 23 e 38. Esses salmos me confortaram muito quando fui atacado pela depressão. Leia-os orando, pedindo misericórdia e graça ao Senhor. Tenho certeza de que o nosso Senhor não lhe abandonará, como não me abandonou. Se puder, faça uma viagem com suas outras filhas e esposo. Vá para bem longe, procure está mais próxima daqueles que te amam e lhe querem bem. Isso não vai sarar a dor da perda, porque não há nada que repare a dor de uma mãe que perdeu uma filha, mas tais atitudes certamente lhe trarão consolo e esperança. Mais paz e equilíbrio, sabendo que a sua filha amada agora está viva com o Pai.
Com isso, o Corpo de Cristo deve consolar uns aos outros para todos tenhamos esperança em Deus (1 Ts 4.18).
Que essa humilde palavra também possa servir de consolo e paz para você, seja a que cobra o outro, ou seja a pessoa enlutada.
Paz e Bem!

sábado, 31 de outubro de 2015

Hoje, 31 de Outubro, dia da Reforma Protestante.

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Uma doutrina que eu destacaria neste dia é "o Sacerdócio Universal dos Crentes". A ideia de que não temos um intermediário entre Deus e o seu povo, senão Jesus Cristo, foi e é muito cara aos protestantes.
Atualmente, no meio evangélico, há milhares de pessoas que desconhecem a doutrina bíblica de que ninguém pode se denominar "representante de Deus sobre outras pessoas".
Há muitos entre nós que criticam a infalibilidade papal, mas que se mostram autoridades infalíveis em suas comunidades eclesiásticas. Não são papas apenas por falta de oportunidade e exercem essa "autoridade papal" em seus pequenos territórios. Não se mostram como pessoas comuns, que tiveram uma experiência com Deus e estão ali apenas para fazer um trabalho de mentoria espiritual e de edificação para o Corpo de Cristo; mas como uma "autoridade autoritária" que não tem compromisso com o Corpo de Cristo, mas somente com os seus próprios caprichos.
No Reino de Deus, somos todos sacerdotes sob a autoridade de um único Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, o nosso Senhor:
"Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (1 Pe 2.9).
No dia de hoje, não só hoje, exerça o seu ofício de sacerdote da Nova Aliança entrando com ousadia ao Trono da Graça de Deus, tendo a certeza de que ali há um Sumo Sacerdote igual a nós e que em tudo foi tentado, mas sem pecado (Hb 4.14-16).
Um final de semana de muitas bênçãos!
Paz e Bem!

terça-feira, 21 de julho de 2015

Acolhido por Deus

Dê uma olhada nesta porção do Evangelho:
“Jesus o viu deitado e, sendo informado de que ele estava nesse estado já desde muito tempo, disse-lhe: ‘Queres ficar curado?’ [...] E imediatamente o homem ficou curado; tomou a maca e andava. Ora, aquele dia era um dia de sábado” (Jo 5.6,9; cf. 5.1-18).
É comum falarmos: “Deus é misericordioso”; “Deus é bom”; “Deus é amor”; “Pai da misericórdia”. Mais que expressarmos a bondade de Deus, eu e você precisamos experimentá-la.
O enfermo do capítulo 5 do Evangelho de João era considerado impuro e pecador. O dia que Jesus escolheu devolver a vida para ele era SÁBADO. Neste dia, para a tradição judaica, carregar “maca” ou somente “andar” era pecado contra a Lei.
Deus é bondoso!
Jesus, misericordioso!
Ele curou num sábado!
Para Jesus, embora sejam importantes e tenham certo sentido, se as convenções dos homens prejudicarem a dignidade humana, Ele as relativiza para fazer o bem: porque a Lei do Amor é maior que a lei dos homens.
A Lei do Amor é divina!
Você caiu e se machucou no chão da vida, da sua existência? Tudo bem! É doloroso, sofrido e angustiante. Mas pare um pouquinho e reflita:
Não é o fim!
A sua existência não desmoronou!
Você é imagem e semelhança de Deus!
Sinta-se acolhido (a) pelo amor do Pai. No momento do assombro do desespero, precisamos, e devemos, experimentar a misericórdia graciosa do Altíssimo. Ainda que as opiniões humanas, muitas vezes não lembrem em nada o amor de Deus. Porém, o Evangelho apresenta esse amor nas últimas consequências.
Deus ama você!
Jesus ama você!
Portanto, há razões de sobra para o seu dia se tornar doce.
Paz e Bem!

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Patriarcas e Matriarcas dos Tempos Bíblicos: Os Primórdios do Povo de Deus

Por Marcelo Oliveira de Oliveira

Nas Sagradas Escrituras, algumas personagens se destacam pelo exemplo de fidelidade a Deus, de amor e compromisso pela própria comunidade ― no caso do Antigo Testamento, o amor deles pela família nuclear e, posteriormente, pelo clã[1]. Normalmente, elas se destacam como homens, e somente lembramos o aspecto masculino dessas personagens nômades, esquecendo-nos de que, igualmente, as mulheres desempenharam um papel importante junto ao povo de Deus e para a história política, social e religiosa de Israel e, principalmente: para a Igreja. Me refiro aos patriarcas e as matriarcas dos tempos bíblicos: Abraão e Sara; Isaque e Rebeca; Jacó e Raquel.

As narrativas bíblicas desses patriarcas e matriarcas estão nos capítulos 12 a 50 do primeiro livro da Bíblia, o Gênesis. Em teologia, os estudiosos classificam “narrativas patriarcais” às histórias dos três casais, que juntamente com os seus filhos, formam a pré-história da nação de Israel. Antes de a nação tomar posse da terra de Canaã, havia memórias, histórias com base na oralidade do povo ancestral daquela geração que conquistou Canaã, contadas pelos ancestrais e reunidas por um autor[2] a fim de formar a história tribal mais antiga do povo de Israel; antes mesmo de começar a viver como tribos na antiga Palestina.

Então o que representava os principais patriarcas e matriarcas dos tempos bíblicos?

1. Abraão e Sara. O nome Abraão significa “pai de uma multidão”. Em Cristo ele é o nosso pai na fé (Gl 3.6-9). É com Abraão que se inicia a história da salvação da reconciliação de Deus com o mundo todo: a história da salvação. Exemplo de fidelidade a Deus, Abraão partiu para uma terra desconhecida crendo na promessa. Sua grande prova de fé foi a entrega de seu filho para ser sacrificado. Sua esposa Sara (cujo nome significa princesa) é a mãe de uma multidão que também disse sim a promessa de Deus, que em Cristo é a nossa mãe na fé.

2. Isaque e Rebeca. Isaque significa “Deus ri”. Filho de Abraão e Sara, quase foi sacrificado pelo pai. No final de sua vida foi enganado pela sua esposa, Rebeca, e por seu filho, Jacó, em troca da bênção da primogenitura. Rebeca lutara por Jacó, Isaque, por Esaú: nações divididas dentro de casa.

3. Jacó e Raquel. O nome de Jacó significa “malandro”. Entretanto, no sul da Arábia e na Etiópia significa “que Deus proteja”.[3] Filho de Isaque e Rebeca, teria o nome de “malandro” devido o roubo da primogenitura do seu irmão, Esaú. Mais tarde recebe o nome de “Israel”. A partir de Israel, por intermédio dos seus doze filhos, começa a se “rascunhar” o projeto de povo e nação. A fidelidade de Israel a Deus, embora passando por provações, aponta para o nascimento de um povo. Jacó amava a sua esposa Raquel: a nação de Israel chorou sua morte e morte dos seus filhos por séculos.

Sobre esse trio de casais patriarcais e matriarcais, a carta aos Hebreus traz uma concepção de fé intrigante, na contramão do que popularmente se entende por resultados da fé no mundo evangélico:

“Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas, mas, vendo-as de longe, e crendo nelas, e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra” (11.13).

Paz e Bem!


[1] No aspecto antropológico, é o conjunto de famílias que se presumem ou são descendentes de ancestrais comuns.
[2] Os mais recentes estudos, embasados na teoria das fontes, formando uma tradição literária nos cinco primeiros livros da Bíblia (o Pentateuco), apontam quatro fontes principais presentes no texto contemporâneo do Pentateuco: a eloísta, a javista, a sacerdotal e a deuteronomista. (Para conhecer mais sobre essa tradição literária clique em As Tradições Orais do Pentateuco ― o texto é um trabalho de pesquisa apresentado à cadeira Antigo Testamento I da FATER - Faculdade de Teologia e Ciências Sociais do Recife ).
[3] Dicionário Bíblico Wycliffe, CPAD, p.1004.