quinta-feira, 12 de junho de 2014

Enfim, a Copa chegou...



Chegou a Copa do Mundo! O evento mais esperado do planeta.
Fora das quatro linhas não preciso comentar porque as manifestações de Junho do ano passado falaram por si. Muito roubo. Muita corrupção. Muito engano. Enfim, o Brasil prometeu um padrão FIFA quando a própria FIFA nem padrão tem. Isto é, o político brasileiro e a cúpula da FIFA: casamento que deu certo. Por conseguinte, deixa-me explicar o que esta copa significa para mim hoje dentro das quatro linhas e, consequentemente, fora também.
Em 1990 sem entender muito bem o significado de uma Copa do Mundo assisti o Caniggia fazer um gol da meia lua contra o goleiro Taffarel. O atacante argentino silenciou o estádio Delle Alpi, em Turim, como calou a minha vizinhança em Pavuna. Assim, o Brasil foi eliminado da Copa da Itália. Para esta copa, colecionei figurinhas para o álbum, mas não as completei. Aliás, nunca consegui concluir um álbum da Copa do Mundo. Que lástima!
Também o ano de 90 marcou uma nova etapa para o Brasil nação. Fernando Collor de Mello assumiu a presidência da república: o primeiro presidente, desde 1960, eleito por eleições diretas. Dois anos mais tarde o presidente sofreu o impeachment. Logo depois, renunciou o mandato. 
Em 1994, no mundial dos Estados Unidos, vi o Brasil campeão após vinte e quatro anos de Jejum de títulos. Assisti também o Galvão gritando desesperado agarrado ao Pelé e ao Arnaldo Cezar Coelho: É tetra! É tetra! É tetra... A raça do Dunga, o eterno capitão da minha geração. Que meio campo aquele de 94! Dunga, Mazinho, Raí e Mauro Silva. O Dunga cerrando o punho na cobrança de pênalti e Baggio isolando a bola são cenas gravadas em minha mente que nunca mais se esvaem. Do mesmo modo o ano de 94 marcava o início do período político de Fernando Henrique Cardoso, o FHC, e o da estabilidade econômica brasileira com o sucesso do plano real. Agora o brasileiro podia se planejar economicamente.
A vergonhosa final de 1998, para muitos uma negociação entre a Nike, a FIFA, a CBF e a organização francesa, tirou-me um pouco do prazer de assistir uma copa do mundo. Aquele mundial foi na França. A partir dali, não vibraria mais como sempre vibrei com a seleção nas duas últimas copas que eu assistira. Quem assistiu todo o mundial e viu a final e a forma como a seleção jogou só podia pensar em roubo. Ela estava simplesmente irreconhecível! Por outro lado em 98, no Brasil, FHC implantou a reeleição cuja base do governo, no Congresso Nacional, comprara votos para o presidente ser reeleito. Não podemos esquecer as privatizações bem sucedidas, mas igualmente as muitas denúncias de esquemas fraudulentos.
A seleção brasileira é campeã do mundo sob a liderança de Luiz Felipe Scolari, o Felipão, no ano de 2002, na copa sediada no Japão e na Coreia do Sul. Foi a primeira vez que dois países sediaram a mesma copa. São Marcos brilhou; o eterno goleiro do Palmeiras. Romário, o herói de 94, barrado no baile. Mas o centroavante Ronaldo não apenas brilhou, tornou-se o Fenômeno. Arrancadas como as dele é difícil repetir-se. Deixava todos sem fôlego. E o menino Denílson! Os turcos até hoje o estão procurando naquela maré vermelha. Do mesmo modo, o segundo gol contra o melhor goleiro do mundo daquela copa, o alemão Oliver Kahn, foi de extasiar o apaixonado por futebol. Ronaldo armou a jogada e estufou a rede do goleiro alemão dando ao Brasil o pentacampeonato e o posto de o único país cinco vezes campeão do mundo no futebol.
Em 2002, Luiz Inácio Lula da Silva é eleito para presidente da república. Pela primeira vez o Brasil tem o governo onde um trabalhador, oriundo do nordeste, mas com a vida política e econômica estabelecida em São Paulo, subiu a rampa do Planalto como presidente. Foi um governo que distribuiu renda. Ações sociais no campo de acesso as universidades e as bolsas para quem precisavam foram marcas do primeiro mandato de Lula. Sua equipe econômica não mexeu no fundamento da Economia desenvolvido na era FHC. Mas no ano de 2005 vieram a tona as entranhas podres do Estado, do Congresso e do Judiciário. O partido que erguia a bandeira da ética passaria à história como o maior dos corruptos da política recente brasileira. A grande obra: O Mensalão.
As copas de 2006 e 2010 o Brasil foi eliminado. Ambas foram sediadas respectivamente na Alemanha e na África do Sul. Concomitantemente, o Lula foi reeleito em 2006 e a Dilma, sua pupila política, eleita em 2010. Foi a primeira mulher a presidir o Brasil na história política.
Estamos em 2014! A copa é aqui, no Brasil. Não levo muita fé na seleção de hoje porque, confesso, há tempo não estou ligado em futebol e copa do mundo. Tenho tido outras prioridades. Mas se o repórter esportivo, Jorge Kajuru, estiver certo o Brasil será campeão. Pois o Ricardo Teixeira acertou com o pessoal da FIFA. Segundo o Kajuru, a seleção perdia a copa na África do Sul e ganharia aqui. Coisas do futebol!
Apesar de tudo eu vou torcer pela seleção. Não sei quem é o meio campo da “canarinho”, exceto o Neymar, o Fred e o goleiro Jefferson do meu sofrido Botafogo. Entretanto, a minha torcida está mais para fora de campo que para dentro dele. Imagine o caos se a seleção for eliminada nas oitavas ou nas quartas de final? No Brasil se arruma “bode expiatório” para tudo. Para os ânimos acirrarem-se não custa. Os movimentos em marcha hoje em nosso país não lembram em nada a espontaneidade das manifestações de Junho do ano passado. As greves são políticas, grupais e segmentadas. Elas não representam o anseio da população, apesar da maioria ser legítima.
Dentro das quatro linhas vou torcer pelo Brasil. Espero ver uma bela final entre a seleção brasileira e a de Portugal. E Neymar e Cristiano Ronaldo duelando.
Mas torço mesmo pelo Brasil fora do campo. O Brasil dos meus pais, o Brasil da minha família, o Brasil dos meus amigos e amigas, o Brasil dos trabalhadores. O Brasil do Brasil. Torço pelo Brasil das consciências cidadãs. Que elas entendam que não é hora de protestar, quebrar ou fazer coisa parecida. À hora é em Outubro. Lá o Brasil precisa ganhar a sua Copa.
Quero ver o resultado das manifestações de Junho nas eleições de Outubro. Removendo toda a situação e colocando no governo quem hoje é oposição. O Brasil decidindo pela alternância do poder: elemento fundamental para qualquer democracia. A classe política que governa hoje precisa ouvir um sonoro e eletrônico não!
A Copa enfim chegou...

M.O.O.
Rio de Janeiro – RJ.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

LIÇÃO 10: O MINISTÉRIO DE MESTRES OU DOUTORES / 2º TRI - 2014

Vivemos num tempo de avanço tecnológico e de multiplicação das informações em distintas áreas do conhecimento. Basta um computador conectado à internet e, pronto: um mundo outrora desconhecido agora se abre para você. Possivelmente, o seu aluno conhece o assunto a ser lecionado nesta semana. Certamente ele pesquisou muita coisa em livros e na internet. E pode ter acumulado até mais informação que o conteúdo preparado para a sua aula. Este é o nosso mundo globalizado!
Nesta lição, o nosso desafio é explicar como se pode relacionar o dom ministerial de mestre com as urgências existenciais dos dias contemporâneos. Não por acaso, ela abre o tema analisando o ministério do ensino em Jesus de Nazaré. O mestre da Galileia era “antenado” com as circunstâncias sociais, políticas e espirituais do seu tempo. Com propriedade, Jesus ensinou sobre a política, as prevenções contra o materialismo e confrontou os discípulos a respeito do verdadeiro sentido da vida humana. Levando sempre uma proposta de vida segundo a perspectiva do Reino de Deus. É a urgência da tarefa de todo educador cristão: levar os alunos a pensarem as demandas da existência à luz do Evangelho e segundo os aspectos positivos e negativos do Reino de Deus (Mt 5―7).

Preeminência do ministério do mestre
Podemos afirmar historicamente que, logo após a morte dos santos apóstolos, as testemunhas da ressurreição do Senhor, os mestres eram líderes chaves na comunidade antiga, assim como os profetas, os evangelistas e os pastores. Ao ponto de a Biblia registrar a exortação apostólica: “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina” (1 Tm 5.17). Os presbíteros que se dedicavam ao exame da Palavra de Deus eram estimados por duplicada honra porque eles se afadigavam dia e noite para compreender os mistérios divinos (Rm 12.7). A mensagem do Reino tinha de fazer sentido na vida dos cristãos de outrora.
Caro professor, o Pai concedeu o dom ministerial do mestre para a sua Igreja atingir a estatura de Cristo em sua plenitude. Portanto, estude, persista em ler e reflita acerca da fé; não se esqueça de que os nossos alunos devem enfrentar as questões da vida sob o prisma da mensagem do Reino de Deus. E você professor, é um instrumento essencial nesse processo de formação cristã (Texto publicado na Revista Ensinador Cristão, CPAD, nº 58, p.39).

Marcelo de Oliveira e Oliveira é bacharel em teologia, licenciando em Letras e redator do Setor de Educação Cristã da CPAD. 

domingo, 1 de junho de 2014

Qual é o modelo mais eficaz do Ministério Pastoral

O modelo capitalista de descarte das pessoas?
O modelo de valorização da instituição pela instituição?
O modelo das megaigrejas em meio a uma redondeza constituída de uma população pobre?
O modelo dos eventos, das propagandas, das negociações e dos espetáculos eclesiásticos?

Seja sincero! Se você leu os Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) e compreendeu o que Jesus falou e fez, pergunto-lhe: Há lugar para esse modelo capitalista no programa de Jesus?


Diante da liderança apresentada por Jesus de Nazaré, em seus Evangelhos, não é vantajoso imitá-lo no atual cenário religioso brasileiro. Pois não traz lucro, fama e poder. Pelo contrário, emana prejuízo, angústia na alma de viver a realidade do sofrimento dos outros. Jesus falou que, no seu Reino, o primeiro servirá o último. Isto se reproduzindo em sua igreja?
Na verdade é o modelo capitalista que está reproduzido em nossas instituições: pessoas sendo valorizadas não pelo o que são, mas têm; são ordenadas não por vocação, mas por negociação. Nada diferente da gestão mundana de administrar as coisas.

Não tenho dúvidas: o Espírito de Deus se afastou da maioria das megaigrejas do Brasil.
Os líderes podem espernear; baterem na mesa: como no tempo de Jeremias Deus havia abandonado o Templo, o Espírito Santo saiu há muito das megas instituições chamadas: Igrejas.

Se foi; caiu fora!


O que nos resta a fazer?


A boa notícia é que nós somos o templo do Espírito Santo. O Templo não é a Assembleia de Deus. Não é a Presbiteriana. Não é a Batista. Não é a Católica Romana ou a Ortodoxa. O Espírito se volta não para instituições humanas, entretanto, para corações compungidos cheios de amor e e dispostos a estar dentro do programa de Jesus de Nazaré.
Neste tempo, no coração e na vida dos pastores, deve haver o mesmo Espírito de Jesus: priorizar pessoas; amar vidas; compartilhar o Evangelho aos pobres; os pobres devem ser a nossa prioridade. "Aos pobres é anunciado o Evangelho".

Infelizmente o modelo pastoral hoje posto inverteu o público alvo de Jesus: abandonou os pobres e priorizou às pessoas da alta sociedade. Estas têm um bom e vantajoso retorno: o dinheiro. Mas os pobres... Há os pobres...

Então qual é o modelo pastoral mais eficaz:

Se do ponto de vista humano, sem dúvida, é este que aí está e todos conhecem e o vivem intensamente.

Se do ponto de vista do Evangelho, tudo o que Jesus viveu e demonstrou nos Evangelhos: priorizar pessoas, não manipular vidas, não fazer proselitismo barato e apenas pregar o Evangelho na convicção de que o Espírito Santo se encarregará de convencer mentes e corações.

Paz e Bem!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

LIÇÃO 9 - MINISTÉRIO DE PASTOR / CPAD, 2º TRI


Na obra “Ministério Pastoral: Alcançando a excelência no ministério cristão”, do pastor norteamericano John Macarthur, Jr., editada pela CPAD; o autor relata este comentário: “Reconhecemos essas tendências alarmantes, crendo que as decisões tomadas nesta década reprogramarão a igreja evangélica até boa parte do século XXI. Assim, a futura direção da igreja é uma preocupação preeminente e legítima. Sem dúvida, a igreja enfrenta um momento decisivo. O verdadeiro contraste entre os modelos ministeriais concorrentes não é o tradicional versus o contemporâneo, mas o bíblico e o não-bíblico” (p.22). À que tendências alarmantes, Macarthur se refere? A oito respostas que emergiram de uma pesquisa realizada por John Seel, em 1995, nos Estados Unidos. Elas foram dadas por vinte e cinco líderes evangélicos de renome que foram entrevistados pelo pesquisador.
Dentre oito principais respostas surgidas na pesquisa (identidade incerta; desilusão institucional; falta de liderança; pessimismo em relação ao futuro; crescimento positivo, impacto negativo; isolamento cultural; solução política e metodológica como resposta), a que chama mais atenção é a “troca de orientação bíblica pela pesquisa de mercado no ministério”. Não por acaso, se vê muitos seminários teológicos trocando disciplinas fundamentais para uma sólida formação de um obreiro, como o hebraico, o grego, a hermenêutica, a exegese, etc., por aquelas que enfatizam a gestão, a forma de crescimento de uma igreja local nos parâmetros do marketing e das estratégias meramente empresariais. Aqui, é à hora de a igreja fazer uma profunda reflexão sobre “Que modelo de ministério pastoral se quer exercer nos próximos anos?”
Com intuito de deixarmos em aberto esta reflexão, porque o espaço não permite irmos além, solicitamos ao prezado professor meditar nesta semana em todos os textos bíblicos possíveis ― use as concordâncias bíblicas, dicionários bíblicos e bons comentários para lhe auxiliarem ― em que Jesus aparece como o “Bom Pastor” de ovelhas. Em seguida, procure responder, à luz dos quatro Evangelhos, as seguintes perguntas: Qual o modelo ministerial de pastorado que o Senhor Jesus espera encontrar nos seus discípulos? Que molde de liderança se acha no agir de Jesus de Nazaré? É possível implantar esse ideal hoje? Qual seria o impacto para a igreja e a sociedade? Boa aula! (Texto publicado na Revista Ensinador Cristão, CPAD, nº 58, p.40).

Marcelo de Oliveira e Oliveira é bacharel em teologia, licenciando em Letras e redator do Setor de Educação Cristã da CPAD.   


terça-feira, 20 de maio de 2014

LIÇÃO 8 - MINISTÉRIO DE EVANGELISTA / CPAD, 2º TRI

Houve um tempo no Brasil, como na América, que a Igreja Evangélica, principalmente a pentecostal, priorizava o ato de evangelizar. A igreja evangelizava com a graça de Deus e amor visível. Os agentes da evangelização sentiam dor na própria alma em ver pessoas gastando sua juventude naquilo que não traz plena felicidade. Era possível vê-los chorando em favor de uma vida. Angustiando-se pelas pessoas perdidas em pecados. Neste contexto, era possível observar ministros destacando-se por levar essa real experiência até as últimas consequências.
Quem nunca ouviu falar do grande evangelista do século recente, David Wilkerson? Além de verdadeiro profeta, ele ficou conhecido pela evangelização realizada na cidade de Nova Yorque, na Time Square, numa época onde as gangues de rua dominavam a cidade novayorquina. O livro “Entre a Cruz e o Punhal”, logo depois transformado em filme, conta a história desse grande evangelista que, pela graça do Pai, ganhou aquelas gangues para Cristo e plantou a maior igreja evangélica da localidade. Eis um exemplo real de um Evangelista separado por Deus!
O Dom Ministerial do Evangelista foi repartido pelo Pai para que o arauto de Deus, através da mensagem centralizada na cruz de Cristo, ganhasse pessoas para o reino divino. Uma das maiores características de um Evangelista é a sua paixão por pregar às pessoas. Não importa o número, se dezenas, centenas ou milhares. O que importa é pregar Jesus, o crucificado. Esta é a mensagem do bom evangelista.  
Sabemos que hoje, pelo advento midiático, muitos evangelistas são tentados em mudar a mensagem da Cruz para uma pregação centralizada no homem. Temos de deixar bem claro a missão de um evangelista: pregar o Evangelho. Anunciar o ministério da reconciliação de Deus com o mundo, porque foi para isso que o Senhor enviou o Filho: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação” (2 Co 5.19). Esta é a boa nova que o autêntico Evangelista tem de proclamar.
Embora o Senhor nosso Deus separe uns para Evangelista e os dê a sua Igreja, o privilégio de anunciar o Evangelho para o ser humano é de todo aquele que se chama por discípulo de Jesus de Nazaré. Portanto, a distribuição desse dom ministerial deve despertar em nós a consciência do quanto Deus leva a sério esta tão nobre tarefa  (Texto publicado na Revista Ensinador Cristão, CPAD, nº 58, p.39).

Marcelo de Oliveira e Oliveira é bacharel em teologia, licenciando em Letras e redator do Setor de Educação Cristã da CPAD.   

sábado, 17 de maio de 2014

CPAD, LIÇÃO 7: O MINISTÉRIO DO PROFETA


Por Marcelo de Oliveira e Oliveira
 
O ministério de profeta ainda é válido para os nossos dias? Esta pergunta é polêmica em alguns lugares. Há pessoas que dão por encerrado esse ministério. Se fosse verdade, algumas perguntas seriam inevitáveis: Quando encerrou? Quem o encerrou? E como ficam as experiências do exercício do ministério de profeta relatadas pelo Novo Testamento e aolongo da História da Igreja?



segunda-feira, 28 de abril de 2014

QUAL O LIMITE DO HUMOR CRISTÃO: UMA CRÍTICA AO SITE GENIZAH VIRTUAL

Quero esclarecer em primeiro lugar o meu pleno compromisso com a liberdade de expressão. Acredito que o desenvolvimento de qualquer país, inclusive o da igreja local, passa pelo fortalecimento de suas instituições democráticas ― os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. E, indubitavelmente, pela livre expressão de pensamento via a disponibilidade dos diversos meios de comunicação; quer o pensamento de caráter religioso quer o filosófico.  
Um fenômeno relativamente recente no espaço virtual evangélico é o Humor Cristão. Protagonizado por “blogs” e “sites” ditos “apologéticos” ― uso o termo “apologéticos” entre aspas para afirmar, categoricamente, que nesses espaços o que se faz não é um exercício apologético, mas o polêmico. Todavia, não é esta a hora apropriada de adentrar na querela.
Antes promovido nos arraiais ditos seculares, o humor é um gênero artístico que foi (e é) muitas vezes usado para criticar a ditadura, a corrupção, a censura, etc. na esfera da coisa pública. A modalidade artística do humor ganhou ares no sagrado. Agora denominado cristão, ele é uma realidade presente no espaço virtual evangélico e até mesmo em alguns segmentos eclesiásticos sociais. Estes últimos, o exercem na informalidade, tendo como principal objetivo o entretenimento. Portanto, não há nenhum compromisso em discutir conteúdos da fé cristã.
O site evangélico GenizahVirtual, dito “apologético”, talvez seja a maior expressão desta categoria artística no meio evangélico virtual. Ele desenvolve uma abordagem satírica sobre personalidades supostamente ameaçadoras à reta doutrina cristã do meio evangélico brasileiro. O objetivo dessa manifestação virtual é o de responder “apologeticamente” os desvios éticos e as insanidades idealizadas em nome da fé dentro do movimento evangélico brasileiro. Logo, a respeito destas insanas idealizações, são passíveis de críticas o pentecostalismo clássico e o neopentecostalismo. É bem verdade que o Genizah Virtual procura desassociar o pentecostalismo clássico do neopentecostalismo. A teoria das três ondas do Pentecostalismo, em Paul Freston, está sutilmente presente nas publicações do site.
O site do Genizah desnuda as práticas perniciosas ao Evangelho, usando da instrumentalidade inteligente, leve e sarcástica da sátira. Seus alvos: práticas antibíblicas desenvolvidas por alguns setores da igreja evangélica, tais como, por exemplo, a famigerada “Teologia da Prosperidade”, o “Movimento da Confissão Positiva” e os “Ministros da Palavra” que exploram o povo de Deus ― estes últimos conhecidos pelos programas evangélicos nas manhãs de sábado.
            É importante ressaltar que, como tudo na vida, esta nova modalidade de expressão evangélica tem de haver limites bem demarcados. Do contrário, ela corre o risco de se tornar um emaranhado de piadas de mau gosto e em exposição desnecessária de pessoas.  
    Então, qual é o limite do humor praticado no site do Genizah Virtual? O que deve regê-lo? Não há dúvida que são os princípios eternos do Evangelho. Nestes, encontramos conselhos contemporâneos para lidarmos sabiamente com o assunto ora exposto.
Analise comigo estas duas porções bíblicas: “Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes” (Mc 12.30,21). Esses dois mandamentos denotam duas observâncias elementares para tecermos quaisquer comentários contra ou a favor de alguém; ou para posicionar-se a respeito de qualquer assunto cujo alvo seja pessoas: a primeira é o temor ao Senhor; e a segunda, o respeito pelo próximo.
Quando comenta sobre o “desdenhador dos Seres Humanos”, em sua obra Ética, o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer escreve: “Deus ama o ser humano. Deus ama o mundo. Não um ser humano ideal, mas o ser humano como ele é, não um mundo ideal, mas o mundo real”. Complementando esse pensamento, Bonhoeffer ainda afirma: “Enquanto nós distinguimos entre piedosos e ímpios, bons e maus, nobres e ordinários, Deus ama o ser humano real sem distinção”. O teólogo alemão tem razão quando nos lembra que o ser humano idealizado por nós nem sempre é o real. Que a igreja idealizada em nossas mentes nem sempre é a existencial. No entanto, ambos, ser humano e igreja, quando idealizados, mas não compreendidos na realidade existencial, não deixam de ser o que são: obras criadas diretamente por Deus, segundo o conselho de sua sabedoria. E, portanto, objetos do seu imenso e sublime amor.
Aqui, evoco os princípios de Marcos 12.30,31 para mostrar o risco de, ignorando tais observações, se cometer precipitações, exposições desnecessárias e injustiças com pessoas. Um site cristão não pode cometer os mesmos erros da mídia secular.  
Sobre o Genizah, passo a exemplificar dois casos que demonstram o caminho tórrido que o site trilhou com naturalidade. Lembro-me duma matéria veiculada anos atrás, era a exposição de uma irmã em estado de êxtase (não julgo aqui a legitimidade da experiência). Ela foi colocada como escárnio nacional para todos quantos quisessem ver. Certamente ela não sabia do vídeo sórdido que circulava a seu respeito em todo o território nacional.  
Outro exemplo foi uma reunião para mulheres da IgrejaBatista da Lagoinha. Uma irmã aconselhava as mulheres de sua igreja sobre vestimentas femininas segundo a perspectiva cristã. Tal irmã fora tremendamente exposta a todos os internautas apenas pelo mau uso do vernáculo. Ou seja, de uma reunião local o público evangélico nacional passou a discutir um assunto que nada lembra uma “agenda apologética”.     
Esses dois exemplos denotam a tragicidade que pode abarcar o humor cristão praticado pelo site Genizah Virtual. É semelhante ao caminho que o secular percorreu até chegar à sua atual degradação ― o caso mais clássico de repercussão nacional é do ex-apresentador do CQC Rafael Bastos e a cantora, na época grávida, Vanessa Camargo.
       Não é a minha intensão usar este espaço para impor qualquer comportamento midiático. Até porque, quem sou eu? E, além de ser uma atitude antidemocrática, o fenômeno do humor cristão é um objeto passível de pesquisa científica da área do marketing, das letras, etc. Entretanto, o rumo que ele vem tomando é sim passível de crítica. E por isso redijo uma neste espaço de poucos leitores.
       Não há dúvida de que devemos denunciar o falso evangelho, o tirano sistema religioso e a negociata com a Palavra de Deus! Jesus fez isso quando necessário, os apóstolos o fizeram e, quando ameaçados, não se curvaram ao falso sistema religioso.
Todavia, havia temor e amor na vida dos apóstolos. É possível achar em suas palavras perspectivas de amor, ternura e sinceridade. Logo, o limite do humor cristão em qualquer espaço virtual ou social, e neste caso o do Genizah Virtual, não pode ser outro além desse: temer ao Senhor e respeitar o próximo. Se caminharmos no conselho de Cristo, temeremos o Senhor e erraremos menos; respeitaremos as pessoas e as decepcionaremos menos.
Jesus não amou o homem ideal, mas o real; Ele não ama uma igreja idealizada, mas existencializada. Jesus é amor, ternura e sinceridade!

Paz e Bem!   

Marcelo de Oliveira e Oliveira
Rio de Janeiro, RJ.