sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

SEGUNDA AULA ESCRITA DA REVISTA LIÇÕES BÍBLICAS ADULTOS

“A SUPREMACIA DE CRISTO”
 LIÇÃO 2
UMA SALVAÇÃO GRANDIOSA


Marcelo Oliveira de Oliveira 

1. RECAPITULANDO A LIÇÃO ANTERIOR. A paz do Senhor, caros irmãos! Como foi a semana? Espero que Cristo tenha falado a vocês ao longo desses dias. Começaremos a aula de hoje recordando o que vimos na semana passada. Quem pode mencionar um assunto importante da aula passada? Ou um aspecto do conteúdo dado?
No tópico 1 vimos questões de Autoria, Destinatário e Propósito da carta. Em relação a autoria, constatamos que não havia unanimidade já na tradição apostólica (Clemente de Roma, Clemente de Alexandria, Orígenes, Tertuliano), bem como na época da Reforma (com Martinho Lutero e João Calvino), por isso, foi melhor manter a autoria da carta sem identificação, uma atitude sábia da erudição bíblica. Quanto ao destinatário, o público é formado de cristãos judeus, localizado provavelmente próximo da região de Roma, que dava indícios de desânimo e enfraquecimento espiritual. Por isso, o propósito da carta é exortar e animar os cristãos a não retrocederem na fé.
No tópico 2, a superioridade da Palavra de Cristo em relação a dos profetas. Vimos que nosso Senhor, diferente dos profetas, é a plena revelação de Deus “nestes últimos dias”.
No tópico 3, foi destacado a superioridade de Cristo em relação aos anjos. Jesus é apresentado superior aos anjos em natureza e essência, ou seja, diferente deles, Cristo é o reflexo da glória de Deus e possui a mesma essência divina. Este assunto é muito importante para a lição de hoje.

2. INTRODUÇÃO À LIÇÃO. Qual é a importância da salvação para a sua vida? Você dá o devido valor ao assunto? Ou se encontra em certa letargia isto é, “estado de profunda e prolongada inconsciência que resulta na incapacidade de reagir e expressar emoções” e negligência diante da questão?
Como estudamos na semana passada, o autor de Hebreus estava preocupado com a vida espiritual do público a quem dirigiu sua epístola. Por isso, nesta aula, veremos que ele apresenta a Salvação como uma dádiva gloriosa, de valor incalculável. Logo, todo crente alcançado por ela deve atentar para essa dádiva com muita seriedade a fim de não “desviar” e “perder o rumo” da jornada. E, para isso, a única forma de o crente não ser “desancorado” e “lançado em alto mar” é “ancorar” o seu barco no porto seguro, Cristo Jesus.

I – UMA SALVAÇÃO GRANDIOSA  (vv.1-4)
            § - Podemos dividir o capítulo 2 de Hebreus em três blocos: vv.1-4, a grandiosa salvação anunciada por Cristo, proclamada pelos apóstolos e confirmada pelo Espírito Santo; vv.5-9, a necessidade da salvação mediante ao padecimento do Redentor; vv.10-18, a eficácia da salvação media a paixão e glorificação de Jesus.
1. TESTEMUNHADA PELO SENHOR. “Convém-nos atentar, com mais diligência, para as coisas que já temos ouvido” (v.1), diz o autor da carta. O que “temos ouvido” é a verdade da salvação, ou seja, para essa verdade é que devemos atentar com diligência ou “com mais firmeza” (ARA) ou “mais assiduamente” (TB). A ideia aqui é a de que é preciso fazer esforço para o cristão não desviar das “verdades ouvidas” (v.1). E a que se refere essas verdades ouvidas? “À revelação de Deus em seu Filho, sobre a salvação (cf. 2.3a)”, ou seja, a doutrina da fé apostólica (ARRINGTON; STRONSTAD, 2003, p.1549). No versículo dois, o escritor introduz uma comparação entre a Antiga Aliança (intermediada pelos anjos) e a Nova Aliança mediada por Jesus Cristo. Por isso, o capítulo dois começa com a expressão “portanto” (v.1), a fim de interligá-lo ao primeiro capítulo que reflete a incomparável supremacia de Cristo em relação aos profetas e aos anjos. Estes, são criaturas inferiores a Cristo, mas assim mesmo “toda transgressão” e “desobediência” praticadas no Antigo Pacto foram retribuídas com juízo rigoroso. Ora, se nesse pacto quem quebrava os preceitos era punido, “que castigo merecia quem ultrajava a Nova Aliança, que em tudo era superior?” (Lições Bíblicas Adultos Professor, p.13).
2. PROCLAMADA PELOS QUE A OUVIRAM. A Salvação foi proclamada, em primeiro lugar, pelo Senhor Jesus. Depois “confirmada pelos que a ouviram” (v.3). A expressão “confirmada” traz a ideia de uma transmissão segura, confiável. Ora, quem transmitiu a mensagem de salvação proclamada pelo Senhor Jesus? Os apóstolos. Daí o surgimento da tradição apostólica. Embora, como tudo indica, o escritor de Hebreus não tenha sido uma testemunha ocular de Jesus, “as verdades” que ele recebeu são seguras e autênticas. Assim, “a mensagem apostólica era essencialmente a mesma Palavra de Deus” e serve como “o fundamento da nossa fé” (LBP, p.14).
3. CONFIRMADA PELO ESPÍRITO SANTO. Além de ser anunciada pelo Senhor Jesus e confirmada pelos apóstolos, a mensagem de Salvação foi confirmada pelo Espírito Santo, por intermédio dos sinais, milagres e maravilhas, e dos dons distribuídos pelo Espírito à Igreja. Isso significa que a salvação proclamada por Cristo e pelos apóstolos, bem como confirmada pelo Espírito Santo, é uma dádiva oriunda do próprio Deus e, por isso, devemos levá-la muito a sério. Por isso, a Salvação é grandiosa.

II – UMA SALVAÇÃO NECESSÁRIA (vv.5-9)
1. POR INTERMÉDIO DA HUMANIZAÇÃO DO REDENTOR. Analisamos a primeira seção de versículos do capítulo dois, vv.1-4, agora passamos a analisar a segunda seção, vv.5-9. O escritor de Hebreus faz uso do Salmo 8.4-6 para mostrar a inferioridade do homem em relação aos anjos (v.5), entretanto, a humanização de Jesus abriu o caminho para restaurar a humanidade por meio da cruz.
2. POR MEIO DO SOFRIMENTO DO REDENTOR. Não era nada fácil para um judeu a ideia de um “Messias Sofredor”. Até hoje eles têm uma visão distorcida a respeito do verdadeiro Messias. Mas o escritor continua a mostrar a partir do Salmo 8, que nos limites da condição humana, nosso Senhor foi feito “menor que os anjos” quando revelou-se como o verbo encarnado em seu ministério terreno cf. Fp 2.5-8: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz”. Porém, o objetivo era o de experimentar o sofrimento dos homens e prover a libertação deles.
3. POR INTERMÉDIO DA GLORIFICAÇÃO. Por meio desse sofrimento nosso Senhor foi “coroado de glória e de honra, […] para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos” (v.9)  cf. Fp 2.9-11: “Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai”. Assim, o escritor finaliza a segunda seção da epístola. Ele mostra que o sofrimento de Jesus resultou em glorificação da qual somos participantes, pois Seu sofrimento era para que Ele “provasse a morte por todos”. Que benefício glorioso e inaudito nós temos em Cristo! Quando experimentarmos o sofrimento, lembremos do “peso eterno de glória” que a nossa “leve e momentânea tribulação” (2 Co 4.17) produz, pois tal comparação entre tribulação terrena e glória celestial, feita pelo apóstolo Paulo, traz consolo e ânimo para a nossa jornada diária. Por isso, a Salvação é Necessária.

III – UMA SALVAÇÃO EFICAZ (vv.10-18)
1. A VITÓRIA SOBRE O DIABO. O Diabo, nosso adversário, escraviza os homens mortos em pecado por meio de seu “Império da Morte”. Assim, o ser humano estava condenado à servidão eterna devido ao medo da morte (vv.14,15). Nesse sentido, o escritor mostra o método da grandiosa obra de Salvação: a morte de Cruz. Nosso Senhor sofreu e morreu para que, por intermédio da Cruz, o Diabo fosse destronado de seu império e, assim, tivéssemos garantida a vitória sobre o poder das trevas: “E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo” (Cl 2.15).
2. VITÓRIA SOBRE A MORTE. Por meio do pecado a morte entrou no mundo. Segundo as Escrituras, a morte é a consequência direta do pecado (Rm 6.23). Porém, em Romanos 6.23, vemos que a vida eterna é a consequência direta de Cristo, isto é, um dom gratuito de Deus. Nosso Senhor subverteu a tragédia da morte, dando-nos esperança de vida eterna (1 Co 15.54-57; 1 Ts 4.15,16). Nele, que venceu e subverteu a morte, temos a vida eterna.
3. VITÓRIA NA TENTAÇÃO. No versículo 17, pela primeira vez, aparece a expressão “sumo sacerdote”, uma imagem que aparecerá muitas vezes ao longo da carta. Ao usar essa expressão, a intenção do autor é destacar a humildade e a fidelidade de nosso Senhor no momento em que passamos pela provação da tentação. Esta nos “tenta” fazer retroceder no caminho. Tenta nos iludir a “desancorar” o nosso “barco” do porto seguro. Ao se humilhar, tomando forma de ser humano, nosso Senhor nos socorre na tentação. Assim, somos encorajados a não desistir, a não pecar, a não desviar do rumo. Cristo sabe que não é fácil. Cristo sabe que teremos tribulação. Mas Ele nos socorrerá em momento oportuno (Hb 4.16). Por isso, a salvação é eficaz.

 IV – APLICAÇÃO DA Lição
Nesta lição, vimos que (1) a seção de versículos 1-4 do capítulo 2 de Hebreus mostra que  a obra de salvação é grandiosa porque ela foi testemunhada pelo nosso Senhor, proclamada pelos apóstolos e confirmada pelo Espírito Santo. Na (2) seção vv.5-9, compreendemos que obra de salvação é necessária por intermédio da “encarnação” do Redentor, de seu sofrimento e glorificação. Por fim, (3) na seção vv.10-18 a obra de salvação é eficaz porque nosso Senhor destronou o Diabo de seu império, venceu a morte e a tentação. Assim, podemos destacar as seguintes aplicações:
1. A grandiosidade da salvação anunciada por Cristo deve nos constranger a valorizá-la.
2. A grandiosidade da salvação proclamada pelos apóstolos deve ser o fundamento da nossa fé. 
3. A grandiosidade da salvação confirmada pelo Espírito Santo deve nos constranger à disciplina espiritual e à vivência imersa no Espírito.   
4. A necessidade da salvação deve nos lembrar que somos “pó” e “cinza”.
5. A necessidade da salvação deve nos lembrar o padecimento e sofrimento de Jesus.
6. A necessidade da salvação deve nos lembrar que o nosso Senhor foi glorificado e, por isso, temos a vida eterna.
7. A eficácia da salvação nos traz segurança, pois em Cristo, o Diabo já foi vencido.
8. A eficácia da salvação nos traz esperança, pois em Cristo, a morte foi derrotada.
9. A eficácia da salvação nos traz alento na provação, pois em Cristo, somos socorridos.
10. Alegremo-nos por tão grande salvação!

domingo, 19 de novembro de 2017

POR UMA TEOLOGIA DO CORPO

Por Marcelo Oliveira de Oliveira

Estou preparando uma exposição sobre a moralidade cristã e me peguei meditando sobre a gravidade da ausência de uma reflexão bíblica acerca da Teologia do Corpo no meio evangélico. Infelizmente, nossos adolescentes, jovens e adultos (por que não dizer: até mesmo os idosos, pois muitos deles também têm vida sexual...) estão sendo presas fáceis para serem desconstruídas pela cultura sexual descartável presente em nossa sociedade. 

Abaixo, um rabisco inicial do que apontei para criar o esqueleto da exposição:


1.    O corpo é tão sagrado e tão valorizado por Deus que Ele o ressuscitará quando do advento da Parousia.

2.      O corpo do crente tem uma relação direta com o Espírito Santo ao ponto de que somos chamados “Templo do Espírito Santo”.

3.     Uma síntese: Se escatologicamente o corpo do crente é destinado à ressurreição, no tempo presente ele é o templo, a habitação do Espírito Santo.

Quantas implicações essa teologia, à luz de 1 Coríntios 6.12-20, traz, ou deveria trazer, para a nossa vida hoje?!

É preciso construir com urgência uma consciência teológica e popular (que honre a Deus e as Escrituras) acerca do corpo a fim de munir, principalmente, os adolescentes e os jovens, e potencializar a capacidade discernir a vontade de Deus nesta área da vida tão importante nos adultos e idosos, a fim de não tornar nossos corpos elementos descartáveis num tempo de relacionamentos predominantemente hedonistas e materialistas. 

A Palavra de Deus é a filosofia plena para a arte do bem viver. Nesse aspecto, uma teologia bíblica que leve em conta os modernos desafios da sexualidade cristã nos ajuda a remar contra a maré da cultura do sexo sem compromisso, e por isso, descartável.

Também deixo como dica três obras que serão as referências dessa exposição sobre a teologia do corpo:

·         A Teologia do Corpo: o Amor Humano no Plano Divino, Aletheia Editores <Clique aqui para conhecer melhor a obra>;
·         A Vida Sexual dos Solteiros e Casados de João Mohana, Edições Loyola <Conheça melhor a obra clicando aqui>;
·         Cristianismo Puro e Simples (Livro III – Conduta Cristã / Moralidade Cristã) de C. S. Lewis, editora Martins Fontes <Clique aqui e conheça a obra>; 



sexta-feira, 3 de novembro de 2017

LIÇÃO 6 - A ABRAGÊNCIA UNIVERSAL DA SALVAÇÃO / SUBSÍDIOS LIÇÕES BÍBLICAS

Marcelo Oliveira de Oliveira


            A salvação em Cristo abrange poucas pessoas escolhidas pelo decreto de Deus ou qualquer ser humano que se arrepende de seus pecados e crê no Unigênito Filho do Pai?

            Esta lição retoma uma discussão de séculos, que no lugar de origem dela se encontra superada, mas floresceu aqui no Brasil. Em primeiro lugar é importante ressaltar que não podemos fazer da boa exposição teológica um campo de batalha e de agressões pessoais, pois quem se compreende tanto arminiano quanto calvinista herdarão o mesmo céu. Entretanto, é verdade que nós, os pentecostais, nos identificamos mais com a teologia clássica arminiana, que infelizmente, e é verdade, encontra-se desconhecida por muitos pentecostais.

Uma teologia que destaca o caráter amoroso, bondoso e justo de Deus           
       Diferente do que muitos propalam, a teologia arminiana não está centrada no livre-arbítrio humano, mas no caráter amoroso e justo de Deus. Segundo o teólogo Roger E. Olson, na obra Teologia Arminiana: Mitos e Realidades, a preocupação primária de Jacó Armínio foi o compromisso com a bondade de Deus, sendo Jesus Cristo a maior e a melhor prova de que o caráter do Criador foi revelado nas Escrituras como compassivo, misericordioso, amável e justo. Ora, a epístola de Paulo aos Colossensses diz que em Cristo “habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9). De modo que um dos Evangelhos narra essa mesma verdade da carta paulina, pronunciada e confirmada pelo próprio Senhor Jesus (Jo 12.44,45; cf; Jo 14.9-14). Por isso, como Roger Olson, podemos afirmar objetivamente sobre Armínio: “Sua teologia é cristocêntrica”. Sim, é uma teologia que enaltece o nosso Senhor Jesus e exalta o Deus Pai Todo-Poderoso.

Uma teologia que destaca a vontade de Deus salvar todas as pessoas
            Baseado nessa compaixão, misericórdia, amor e justiça que o plano salvífico divino, executado por Jesus Cristo, o seu único Filho, proveu salvação ao ser humano. Em Jesus, Deus se mostrou misericordioso, bondoso, amoroso e justo; logo, não haveria o porquê de o Pai enviar o seu Filho, fazê-lo passar pelo processo de crucificação, morte e ressurreição, ordenando os discípulos, após de batizados no Espírito Santo, que proclamassem o Evangelho a toda a criatura (Mc 16.15; cf. At 1.8), tivesse como objetivo salvar um “grupo fechado de pessoas”. A partir dessa ordem estava clara a intenção de Deus, desde a fundação do mundo, de salvar integralmente o ser humano e, com base em sua bondade, amor e justiça, e por intermédio do Espírito Santo, a partir da graça preveniente, dar condição ao ser humano de não resistir a maravilhosa oferta de salvação. Entretanto, o Senhor Jesus deixou patente a responsabilidade humana, e as suas implicações, de rejeitar consciente e deliberadamente a salvação operada por Deus em Cristo Jesus (Jo 3.16-18).  Aqui, o livre-arbítrio na teologia de Armínio torna-se secundário, pois o que se destaca claramente são o amor, a bondade e a justiça de Deus.

Texto publicado, mas levemente adaptado, na revista Ensinador Cristão, nº 72, Editora CPAD, 2017, p.39.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

DÍZIMO E ADULTÉRIO


Marcelo Oliveira de Oliveira





“Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas. Com maldição sois amaldiçoados, porque me roubais a mim, vós, toda a nação. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança.” (Ml 3.8-10)


O que o dízimo tem a ver com o adultério?

Para entender a palavra do profeta Malaquias acerca do dízimo é preciso remontar toda obra. O capítulo 1 do livro profético de Malaquias mostra o processo de apodrecimento moral dos sacerdotes que representavam a Deus diante do povo:

O filho honrará o pai, e o servo, ao seu senhor; e, se eu sou Pai, onde está a minha honra? E, se eu sou Senhor, onde está o meu temor? — diz o Senhor dos Exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome e dizeis: Em que desprezamos nós o teu nome? Ofereceis sobre o meu altar pão imundo e dizeis: Em que te havemos profanado? Nisto, que dizeis: A mesa do Senhor é desprezível (vv.6,7).

O estado moral deplorável dos sacerdotes de Israel foi aprofundado ao optarem por uma vida dissimulada. Os “representantes de Deus” mentiam sobre a oferta do sacrifício; no lugar de pão limpo, ofereciam o pão imundo (O que você acha que eles faziam com o pão limpo, o bom pão?). Os “representantes de Deus” levavam o animal cego no lugar do perfeito; o animal coxo, no lugar do saudável. Mas para o povo, esses sacerdotes demonstravam a oferta boa e a afirmavam perfeita: o povo acreditava que aqueles “homens santos” ofereciam uma “oferta santa” a Deus.

Os fiéis desconheciam os bastidores do Templo, não faziam ideia das conversas, dos acordos, das articulações que solapavam o bom senso e a sinceridade da alma da pessoinha mais humilde e cheia de ternura diante de Deus e dos homens. Por isso, o profeta Malaquias, para além do ponto de vista da liturgia religiosa, mas sob o ponto de vista da vida pessoal do sacerdote, denuncia:

Não temos nós todos um mesmo Pai? Não nos criou um mesmo Deus? Por que seremos desleais uns para com os outros, profanando o concerto de nossos pais? Judá foi desleal, e abominação se cometeu em Israel e em Jerusalém; porque Judá profanou a santidade do Senhor, a qual ele ama, e se casou com a filha de deus estranho (2.10,11). 


Se há uma coisa que marca o caráter dos profetas do Antigo Testamento é a de chamar a dissimulação pelo nome:
  
Porque o Senhor foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher do teu concerto. E não fez ele somente um, sobejando-lhe espírito? E por que somente um? Ele buscava uma semente de piedosos; portanto, guardai-vos em vosso espírito, e ninguém seja desleal para com a mulher da sua mocidade (Ml 2.14,15). 

          
O clamor do profeta passa longe da questão cerimonial religiosa. Não se trata de denunciar os sacerdotes por causa do status quor religioso, mas devido à natureza maligna dos atos dos “representantes de Deus”. A injustiça − de trocar a mulher da mocidade por uma mais nova, vinda de uma terra estranha, praticante de uma religião bizarra – “gritava” diante de Deus. Não respeitar a mãe de seus filhos, a mulher que o apoiou em tudo, e autoanulou-se por causa dele, para o “ungido de Deus” chegar onde estava. O sacerdote não podia premiá-la, trocando-a por apenas uma pulsão carnal e descontrole de sua volúpia manifesta mediante a ânsia de prazer e de poder. Por isso, o Senhor diz:

“Porque o Senhor, Deus de Israel, diz que aborrece o repúdio e aquele que encobre a violência com a sua veste, diz o Senhor dos Exércitos; portanto, guardai-vos em vosso espírito e não sejais desleais” (Ml 2.16).

O sacerdócio judaico havia se transformado numa plataforma de poder político e econômico, onde o “representante de Deus” acreditava ter o direito de fazer todas as coisas, inclusive o absurdo de expulsar a mãe de seus filhos, a mulher da sua mocidade, da sua “vida santa”.

A máscara caiu!

Agora o povo viu!

Era pública e notória a dissimulação dos líderes religiosos de Israel, pois não mais escondiam suas prostituições. Logo com o tempo, as pessoas viram que esses sacerdotes faziam tudo isso com o “dinheiro” do povo (sim, pois o povo não dava ofertas defeituosas, elas só se mostravam assim após entrarem à dispensa do Templo). Qual era a lógica? Parar de financiar tudo isso. O povo parou de dar dízimos e ofertas.

Parar de entregar os dízimos e as ofertas, naquele contexto, era estabelecer um caos social. Ora, os sacerdotes eram da Tribo de Levi. Esta era sustentada por intermédio dos dízimos e das ofertas de todo o povo. Embora a classe sacerdotal estivesse mergulhada na dissimulação, isso não significava dizer que todos os sacerdotes estavam assim, que todos os levitas eram “crápulas”. Não, muitos não haviam se dobrado! Se o povo parasse de dar o dízimo, a Tribo de Levi estava fadada a desaparecer. Por isso, o profeta denunciava e estimulava o povo a voltar a dar o dízimo: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa” (Ml 3.10). Os sacerdotes auxiliares não poderiam pagar pela perversidade dos oficiais.

Deus não é injusto!

A crise dos dízimos e das ofertas não era uma questão somente de infidelidade do povo, mas, principalmente, de infidelidade dos sacerdotes, “os representantes de Deus”. No tempo de Jesus esse processo apenas se aprofundou, e por isso, nosso Senhor não titubeou em desmascarar a “casta santa”:

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer essas coisas e não omitir aquelas. Condutores cegos! Coais um mosquito e engolis um camelo. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!Pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de iniquidade. Fariseu cego! Limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia. Assim, também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade (Mt 23.23-25).


Há meses soube de um fato triste. Um importante pastor de uma grande denominação mantinha-se em adultério com pleno conhecimento de ministros. Entretanto, o adultério tornou-se público, não por confissão e arrependimento, mas por descuido. A cúpula denominacional simplesmente fez vista grossa até a bomba explodir. Porém, a igreja (ora, a igreja está cheia de pessoas sinceras que não se vendem) não aceitou. Resultado: o dízimo caiu, bem como outras contribuições financeiras. Mas pasme! O pastor adúltero foi premiado com a transferência a uma grande igreja. Agora, juntamente com sua amante, pode servir o “santo altar”. Igualmente, a saída do pastor anterior daquela igreja, agora assumida pelo pastor adúltero, também se deu por escândalo sexual: ele se envolveu homossexualmente com um jovem. Esse processo de imoralidade sexual traz consigo catástrofes existenciais inimagináveis para todas as esferas das vidas de pessoas.

Essas coisas não me escandalizam mais, pois já vi muitas semelhantes. Mas elas escandalizam muita gente, pois graças a Deus milhares de pessoas têm ainda um coração puro, como deve ser, e acredita na pureza e sinceridade de seus líderes espirituais, como também deve ser. Quando me deparo com tais relatos, pego-me pensando nos novos convertidos, nas crianças que estão sendo ensinadas, nos adolescentes e jovens num mundo cada vez mais bestializado sexualmente. Os pais das pessoas envolvidas, os cônjuges, os filhos...

Isso não pode ser banalizado. Isso não pode ser aceito. Isso não pode nos anestesiar. Meu desejo é que haja arrependimento, pois "quem abraça o espinheiro colherá mandacaru". Não haverá flores, rosas. O juízo de Deus vem independente da proteção ou não de uma cúpula religiosa.

Portanto, se você é crente mesmo, e quer seguir a Jesus com sinceridade; então cuide do seu coração, da sua mente e leia o Evangelho. Leia sempre os Evangelhos de Jesus (Mateus, Marcos, Lucas e João), mas com calma, mediante o Espírito de Deus e, em seguida, olhe para a realidade; você perceberá que os escândalos maiores que ainda virão é como disse Jesus: “só o princípio das dores”. Não devemos nos resignar com tais escândalos, mas não podemos evitá-los. O que podemos e devemos fazer é guardar nosso coração em Deus.

Paz e Bem!




segunda-feira, 12 de junho de 2017

RESENHA: PENTECOSTALISMO E PÓS-MODERNIDADE


Caro César,

Paz e Bem!

Terminei a leitura de tua obra.

Como forma de agradecer-te pela obra presenteada, envio esta resenha.

Embora desejes que os teólogos sejam menos polemistas e apologéticos, porém, mais “teólogos em plena diaconia” (p.409); tua obra, no entanto, é polêmica e apologética. Polêmica porque é a mais contundente defesa da experiência pentecostal ante a teologia reformada no Brasil, mais especificamente contra a perspectiva cessacionista; e apologética porque é um texto potencialmente capaz de explicar a identidade pentecostal para setores de fora da religião cristã.

            O primeiro ponto a destacar positivamente sobre a obra é a tua honestidade intelectual, que a conheço de longa data, pois convivemos cotidianamente em nossa atividade profissional. Somente uma pessoa de tua estirpe tem a coragem de estruturar uma obra cujos primeiros 11 capítulos revelam a forma que pensavas até a virada intelectual − como confessado: “O que escrevi antes de saber o que era Pós-Modernidade”; leia-se: sob a influência da teologia reformada –, onde a viagem para a Alemanha pode ser considerada um marco temporal para o início dela. Nesses capítulos, está patente o fenômeno rotineiro entre os jovens seminaristas pentecostais, onde uma vez em contato com algumas literaturas reformadas, se encantam com a organização dessa teologia e a abraçam sem ao menos levar em conta as duas indagações presentes na introdução de tua obra: “Será que os pensadores [ou estudantes] pentecostais sabem que a proposta batizada de cosmovisão cristã, é neocalvinista, e que ‘cosmovisão cristã’ é o sistema de Calvino repaginado por Kuyper? Será que o pessoal sabe que, como já foi dito, no subtítulo do livro de Abraham Kuyper, está escrito que o calvinismo é o ‘sistema que hoje a igreja cristã deve reconhecer como bíblico?” (p.38).

            Ainda na primeira parte da obra, destaco o capítulo 10, “Que se abram as Gaiolas Teológicas”, onde lembro-me da bonita e agradável tarde em que o frágil beija-flor entrou à biblioteca da CPAD para não mais achar a saída. Mas, por intermédio de um antigo “passarinheiro”, escondido por detrás da atividade intelectual, o pássaro das asas velozes teve sua doce liberdade de volta. É bonito saber que tal acontecimento se tornaria a metáfora do mais belo texto que, pessoalmente, considero ter saído de tua pena. Refiro-me à perspectiva estética dele.

           A tua honestidade intelectual continua a ser motivo de destaque porque na segunda parte da obra, deixas claro “O que Venho Escrevendo depois de Aprender o que É Pós-Modernidade” – Leia-se: o rompimento com o paradigma da teologia reformada. Aqui, destaco dois textos que foram os mais importantes para mim. O capítulo 12, onde defendes uma nova proposta de hermenêutica identitariamente pentecostal. O fundamento teórico dessa teologia seria a teologia narrativa, onde faríamos teologia, não apenas priorizando os textos paulinos, mas dando o devido valor aos textos evangélicos narrativos de onde brotam o fundamento dos principais dogmas da comunidade cristã no mundo, e especificamente da experiência pentecostal. Em seguida, destaco também o capítulo 16, onde fazes a fundamentação teórica do fenômeno da experiência religiosa, bem como o fundamento da experiência do Espírito a partir da reflexão teológica a fim de propor um novo modo de pensar e crer a teologia pentecostal. Destaco esses dois capítulos, pois neles, tocas em duas esferas urgentes para os teólogos pentecostais brasileiros: (1) compreender melhor o fundamento textual (hermenêutico, exegético e teológico) que embasa o fenômeno do batismo no Espírito Santo, isto é, os textos narrativos; e (2) compreender bem a natureza da experiência religiosa refletida no mistério do batismo no Espírito que se reflete na experiência de adoração pentecostal.

É alentador ler um texto sobre a pós-modernidade que não caia na mesmice de criticá-la sem compreendê-la, onde tu mesmo confessaste não dominá-la quando a criticou num dado período. Isso não é comum aqui no Brasil. A primeira obra equilibrada que eu li sobre o pós-modernismo, vindo da pena evangélica, foi a de James W. Sire (O Universo ao Lado, pp.263-299). A segunda, do Alessandro Rocha, Teologia Sistemática no Horizonte Pós-Moderno. A terceira, a tua; que ajuda a remontar um contexto que James Sire toca quando diz que


As reações de teólogos ao pós-modernismo foram as mais variadas possíveis. Alguns aceitam suas afirmações centrais e escrevem não teologias, mas a/teologias (nem teologias nem não teologias que provêm do interstício entre os dois). Não procure compreender isso sem ler Mark C. Taylor. Outros teólogos aceitam a crítica pós-moderna ao modernismo, vendo muito da teologia cristã contemporânea como extremamente “moderna” e tentam reformar a teologia. Entre esses estão pós-liberais que revisam a noção sobre o que a teologia é e pode fazer (George Lindbeck), os que veem na ênfase pós-moderna sobre a história uma oportunidade para a história cristã ser ouvida (Diogenes Allen) e evangélicos que revisam a natureza narrativa da teologia (Richard Middleton e Brian Walsh). Outros, ainda, rejeitam todo o programa pós-moderno e clamam por um retorno às Escrituras e à igreja primitiva (Thomas Oden) ou por um programa de reforma que continue a valorizar a razão humana (Carl F. H. Henry, David Wells e Gene Edward Veith Jr.).
Nos círculos evangélicos, o pós-modernismo continua provando ser controverso. Alguns jovens estudiosos, como Robert Greer, têm pesquisado as opções cristãs e clamam por um reconhecimento das verdadeiras reflexões do pós-modernismo e uma abordagem renovada do que ele denomina como “pós-pós-modernismo”. Estudiosos mais antigos, entre eles Merold Westphal e Douglas Groothuis, por vezes, discordam sobre o que pós-modernos como Lyotard estão afirmando, de modo que parecem estar falando um após o outro em seus diálogos. Embora ambos afirmem os ensinamentos centrais da fé cristã, eles defendem visões notadamente distintas sobre com que precisão a mente é capaz de conhecer o que é verdadeiro sobre Deus, os seres humanos e o universo. Evidentemente, a última palavra sobre pós-modernismo e teologia ainda está para ser escrita. (SIRE, pp.290-92)


De acordo com Sire, o fenômeno de pensar a pós-modernidade na teologia é uma tentativa não muito recente em outros recantos. Se aqui no Brasil haverá essa maturidade intelectual para reconhecer que tal questão está aberta e, que de dentro dela, ainda precisa haver mais debate, só o tempo dirá; pois “a última palavra sobre pós-modernismo e teologia ainda está para ser escrita” [E será escrita um dia?]. Mas sabendo um pouco da recusa de alguns em conhecer o assunto com seriedade, aqui no Brasil, penso que a coisa se desbancará para os rótulos num primeiro momento.

Para o movimento pentecostal, a pós-modernidade pode ser um caminho de diálogo para com os de fora, mas não tanto para com os de dentro. Explico. Para com os de fora, especificamente os da academia e os da área artística secular, há de fato uma tendência pós-moderna, mas que não faz muito sentido para a imensa maioria da sociedade brasileira que não é pós-moderna. As pessoas do movimento pentecostal formam o extrato dessa sociedade, nesse aspecto, acho o pós-modernismo problemático para ser aceito num país, onde do ponto de vista religioso, ainda se encontra, digamos, no “medievalismo”. Há de se ter esse toque de realismo, pois o pós-modernismo, como o modernismo e tantos outros “ismos” são tentativas de explicar tendências de “espíritos” que podem resvalar na “irrealidade social”. Considero que um dos problemas da relação entre acadêmicos − bem como representante da classe cultural − e sociedade é o de criar uma “realidade” diametralmente oposta ao mundo desta.

Gosto do ceticismo do cientista político, Eric Voegelin, em relação às ideologias. Para o cientista, elas são mestras em perder o contato com a realidade, pois “o pensador ideológico passa a construir símbolos não mais para expressá-la, mas para expressar sua alienação em relação a ela” (Reflexões AutoBiográficas, p.39). Voegelin foi vítima dessa alienação ideológica, quando tachado pelos seus críticos: “Tenho em meus arquivos documentos tachando-me de comunista, fascista, nacional-socialista, liberal, neoliberal, judeu, católico, platônico, neo-agostiniano, tomista e, é claro, hegeliano; registra-se ainda que eu era, supostamente, muito influenciado por Huey Long” (VOEGELIN, p.81). Certamente, caro César, não escaparás a isso também. Infelizmente, tal injustiça é produzida pela tendência moderna de se criar sistemas e conceitos para explicar uma série de coisas. Aqui, vale a pena conferir mais uma estupenda reflexão do pensador alemão acerca da filosofia que, tranquilamente, pode ser aplicada em qualquer ramo do saber:


Fala-se, rotundamente e irrefletidamente, em um sistema platônico, aristotélico ou tomista, a despeito do fato de que esses filósofos estremeceriam de horror diante da ideia de que sua investigação empírica da realidade pudesse resultar em um sistema. Se algo esteve sempre claro para um pensador como Platão, que sabia distinguir entre as experiências do ser e as do não-ser e admitia a existência de ambos os tipos, era que, para o bem ou para o mal, a realidade não era um sistema. Se o sujeito constrói um sistema, a falsificação da realidade é, portanto, inevitável. (VOEGELIN, p.119)


Um, dentre tantos pontos altos de tua obra, é que não apresentas a pós-modernidade como sistema de pensamento que deve ser abraçado acriticamente. Esse cuidado é importante. Costumam dizer que nenhuma pessoa é livre das ideologias. É verdade! Mas com certeza nenhuma pessoa tem somente uma ideologia. O ser humano é complexo a tal ponto que o mais ferrenho esquerdista torna-se um voraz capitalista em muitos momentos da vida; e o mais fiel direitista torna-se o maior detentor das ideias de esquerda quando sofre a injustiça. Ora, na realidade os dois estão certos e, na maioria das vezes, estão errados. Assim também acontece com quem se pretende modernista, pós-modernista, reformado, pentecostal. Ora, somos seres humanos em contato com o objeto. E, tomando emprestado o conceito de William James sobre a relação desses dois pólos (citado por VOEGELIN em Reflexões AutoBiográficas, p.114,15), o que acontece entre o sujeito e esse objeto denomina-se experiência pura, a realidade. Quem interpretará o resultado desse fenômeno? É possível uma descrição exata dele?

Posso dizer que a tua obra me ajudou a responder essas perguntas. Mas claro, não obtive respostas que fechassem as questões.

Grande abraço,

Marcelo Oliveira de Oliveira.