sexta-feira, 26 de julho de 2013

ELE REINARÁ PARA SEMPRE




Sermão Pregado na Assembleia de Deus Ministério São João de Meriti - Festividade do Coral Jovem Nova Jerusalém

Texto Bíblico: Apocalipse 11.15-18                                                      

I. QUESTÕES INTRODUTÓRIAS
1.    No livro do Apocalipse o Senhor Jesus se manifesta majestoso, glorioso e poderoso. Ele anuncia ao apóstolo João tudo o que foi, é e será.
2.      No capítulo em análise, Apocalipse 11, o anjo toca a sétima trombeta para anunciar que Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre (v.15).[1- não deixe de ler esta nota]
3.      Mas anterior a sétima trombeta, o livro do Apocalipse apresenta mais seis. Qual o simbolismo destas “trombetas”?
Números 10 apresenta algumas funções da trombeta em Israel:
      3.1. Reunir o povo para diversas ocasiões de festejos (10.1-8).
      3.2. Anunciar uma guerra (10.9).
3.3. Anunciar um tempo especial de sacrifícios de comunhão e holocaustos (10.10).
3.4. No Antigo Testamento a trombeta soou:
a) Quando a Lei foi divinamente entregue a Moisés no Monte Sinai (Êx 19.16-19).
b) Quando Salomão foi ungido o rei sucessor de Davi (1 Rs 1.34,39) ― Salomão estabeleceu o Templo Judaico.
c) Quando as guerras eram proclamadas (Nm 10.9).
                        3.5. Em o Novo Testamento, soou:
a) Quando a voz do Senhor foi como voz de trombeta aos ouvidos do apóstolo João na Ilha de Patmos (Ap 1.10).
b) Quando uma voz como que de trombeta convocou João subir ao céu (Ap 41).
c) A Segunda Vinda de Cristo será anunciada pelo toque da trombeta de Deus (1 Ts 4.13-18).
4. Logo, as trombetas têm o papel de anunciar um novo tempo, um grande acontecimento. No Apocalipse, elas anunciam juízos de Deus em relação a Terra e ao Ser Humano, mas também a segunda vinda de Cristo em glória, isto é, a chegada da plenitude do Reino de Deus. Assim podemos dividi-las:
               4.1. Catástrofe sobre a terra:
                          1ª Trombeta → a natureza (8.7)
                          2ª Trombeta → animais marítimos (8.8,9)
                          3ª Trombeta → o mar e os rios (8.10,11)
                          4ª Trombeta → sol, lua e estrelas (8.12,13)
               4.2. Catástrofes sobre o Ser Humano:
                          5ª Trombeta → Tormentas sobre os seres humanos (9.1-12)
                          6ª Trombeta → Morte da terça parte dos seres humanos (9.13-21)
7ª Trombeta → O Cristo intervém. A vinda do Reino de Deus e o julgamento dos seres humanos (11.15-18)

II. QUESTÕES DOUTRINÁRIAS
  1. Deus reinará plena mente no mundo (v.15). Isto se dará quando do retorno físico e literal de Jesus de Nazaré.
  2. A Igreja, o povo de Deus constituído de seres humanos dos quatro cantos do mundo, ― simbolizado pelos 24 anciões ― adorará ao Senhor todo poderoso que reina para sempre (vv.16,17).
  3. Todos os homens, grandes e pequenos, prestarão contas diante de Deus (v.18) ― os que destroem a terra e odeiam ao Senhor serão destruídos; mas os que amam e temem ao Senhor, seus profetas e servos, serão galardoados. É o dia em que Deus julgará os segredos dos corações dos homens (Rm 2.16).    

III. QUESTÕES APLICATIVAS
  1. Vivemos a tensão entre o “já” e o “ainda não”. O reino de Deus está nos corações de muitos cristãos, mas parece que a sua vinda plena tarda.
  2. Por isso, somos tentados a viver como não houvesse juízo final. Como que Deus não controlasse a história. Como se Ele não fosse julgar intenções e pensamentos.
  3. Onde está a promessa da sua vinda? Parece que tarda. Isto é motivo para se viver um cristianismo sem coração, essência e vida?
  4. As trombetas anunciam um novo tempo. De condenação e flagelos para alguns, mas de vida e esperança eterna para muitos.
  5. Um dia o Reino virá plenamente, mas enquanto ele não vem, os flagelos do coração, da alma e da mente podem ser sarados pela chegada do Reino em seu coração e mente. Isso pode acontecer hoje, agora.
  6. Deus não tem prazer em condenar, Ele mostra a seriedade da injustiça humana para nos mostrar a grandeza da sua misericórdia. Ele quer que todos os homens se salvem.
  7. Por isso, quebrantados e prostrados, adoremos ao Senhor e digamos: Maranata, ora vem Senhor Jesus!


[1] É importante ressaltar que as sete trombetas é o desdobramento da abertura do sétimo selo (Ap 6.1; cf. 8.1). O apóstolo João recebeu revelações, diretamente de Cristo, sobre o estado espiritual das sete igrejas da Ásia Menor: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes e Laodiceia (2―3). No capítulo 4, o apóstolo recebe a ordem de uma voz para subir ao céu a fim de contemplar as coisas que vão acontecer (v.1). Após várias visões, João vê um livro selado com sete selos na destra de quem estava assentado no trono (5.1). O apóstolo chorava, pois não havia ninguém digno de desatar os selos do livro ou de abri-lo (5.4). Mas um dos anciões informou-lhe: “eis aqui o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, que venceu para abrir o livro e desatar os seus sete selos” (5.5). E na visão do apóstolo, o Cordeiro desata os selos. Estes simbolizam toda a história humana de engano e ilusões encarnadas na figura do Anticristo e seus asseclas. Pois, se abre o sétimo selo. Aqui se desdobrará o ressoar das sete trombetas. Isto é, as sete trombetas é a abertura do sétimo selo (8.1).  

quinta-feira, 18 de julho de 2013

ESPERANÇA APESAR DA DOR - A BRUNA FOI MORAR COM O SENHOR



Esta é a imagem que eu e a minha esposa, Gilmara, desejamos guardar em nossa mente e coração quando daquela noite singela de feliz de aniversário da Bruna. Como foi marcante aquela noite:

O mundo está louco! A vida é uma loucura! Como vim parar aqui? Não pedir para nascer, viver e, muito menos, morrer. Revolto-me ao pensar que uma menina de 18 anos na flor da idade está com uma doença humanamente incurável. O que dizer nesta hora? Simplesmente não há o que dizer! Aprendi que nesta hora é orar, porque enquanto há vida há esperança.
Sim, orar pela cura! Mas não me peçam para explicar absolutamente nada. Pois nesta hora não tenho palavras. A família está sofrendo muito. Todos diante da notícia avassaladora não têm outra reação que não seja esta: orar, orar, orar e orar. Mas também chorar, chorar, chorar e chorar.
Como entender ou buscar explicação? É irrisório! Precisamos lidar com esta bomba da vida em que não cabe qualquer teorização. Seria irresponsabilidade, como pastor daquela comunidade de fé, resumir tudo o que está acontecendo naquela realidade existencial neste jargão: é a vontade de Deus. Confesso: não tenho palavras. Sei que a maior intervenção divina veio neste domingo. Ali, naquela simples reunião, no meio de uma sala onde choramos e celebramos ao mesmo tempo um aniversário. Todos orando pela Bruna com um amor inexplicável. Carinho, lágrima, mas sorriso em saber que é um privilégio ela estar conosco. Como foi bom orar. Sim! Orar pela cura da Bruna, pois é o desejo imensurável que pulsa em nosso coração. E como crentes em Deus temos a fé inabalável de que o Senhor pode curá-la. Afinal de contas, a última Palavra ainda é de Deus.
Este domingo — ontem, 28 de Outubro de 2012 — ficou marcado em meu coração. Vivi momento de alegria misturada à tristeza, mas regada a esperança. No final de tudo a palavra que retumbou na minha mente e coração foi ESPERANÇA. A esperança de que ainda verei a Bruna vendendo saúde. Vivendo a mais bonita de toda estação da vida: a juventude. É isso! Simplesmente creio! Sem lógica, racionalização. Mas com muita emoção e sentimento representados num verdadeiro amor que, ali, naquela sala, brotou no meu coração pela bruninha.
Como disse a você, bruninha, há uma morada sua agora em nosso coração. Pois você é muito, muito especial!

Um abraço daquele que ganhou uma ovelha tão especial num pasto recheado de amor.

Bruna, nós te amamos!

P.S. Hoje, dia 18 de agosto de 2013, recebemos a notícia de que a Bruna passou para o Senhor. Com o coração triste, mas cheio de ternura e compaixão da família, quero desejar muita força para a sua mãe, o seu pai e toda a família do meu amigo e irmão Sérgio Sodré. 
A esperança agora se renova em vê-la um dia.

Até Breve, Bruna!!!!

M.O.O.
Rio de Janeiro, RJ.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

CHEIOS DO ESPÍRITO NA DIMENSÃO PROFISSIONAL

(Uma breve análise de Efésios 5.18-21; 6.5-9)

Podemos destacar a Epístola do Apóstolo Paulo aos Efésios como uma circular às igrejas da província da Ásia entre os anos 52 e 55 dC. Segundo Donald C. Stamps, o editor geral da Bíblia de Estudo Pentecostal, editada pela CPAD, esta carta pode também ser a mesma destinada por Paulo aos Laodicences (Colossenses 4.16).1
A epístola aos Efésios integra o grupo das quatro epístolas escritas na prisão, juntamente com Filipenses, Filemon e Colossenses — As Cartas da Prisão. Isto significa dizer que enquanto o apóstolo Paulo redigia a epístola aos Efésios ele se encontrava preso, provavelmente em Roma. Se pudermos cunhar um tema central da epístola, gostaria de evocar o dos comentaristas em o Novo Testamento, J. Wesley Adams e Donald C. Stamps: “Os propósitos eternos de Deus em Cristo a fim de criar entre judeus e gentios uma nova humanidade através da cruz e uma nova comunidade como o corpo de Cristo na terra”.2 No entanto, esses propósitos foram revelados à humanidade através da Igreja em Cristo Jesus como nos relata o apóstolo Paulo na sua epístola aos Colossensses: “o mistério que esteve oculto desde todos os séculos e em todas as gerações e que, agora, foi manifesto aos seus santos; aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória” (1.26,27).
Em Efésios 1.15,16, Paulo destaca o amor mútuo praticado na igreja de Éfeso como consequência da fé centrada na pessoa do Senhor Jesus. E o apóstolo espera esta fé viva operando na vida daquela comunidade cristã. Os agradecimentos pessoais a Deus por essa Igreja são demonstrados por Paulo na sua oração. Nela, ele esperava que a prática do amor fraterno fosse predominante nas relações ali existentes. Neste contexto é que o apóstolo dos gentios aborda a antítese entre uma vida imersa no Espírito Santo e a existência submersa na ausência de sobriedade (5.18) evidenciada pela presença de contendas.   
Quando lemos o capítulo 5 de Efésios, sobre o tema do enchimento do Espírito, é comum nos reportarmos à experiência pentecostal do segundo capítulo dos Atos dos Apóstolos. Entretanto, é preciso situar o preclaro leitor nos contextos destes distintos escritos a fim de compreendermos a diferença semântica do termo “enchimento” cunhado por Lucas em Atos e o usado por Paulo em Efésios. No livro dos Atos dos Apóstolos o evangelista utiliza um recurso linguístico particular para citar o cumprimento literal da promessa predita por Jesus de Nazaré acerca do batismo com o Espírito Santo: “E todos foram cheios do Espírito Santo  e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” (At 2.4). O nosso Senhor havia dito: “Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At 1.5) [grifos meus]. Assim, salta aos olhos do leitor que a expressão “todos foram cheios do Espírito Santo” (At 2.4) é sinônima da “vós sereis batizados com o Espírito Santo” (At 2.4). Nesta o evangelista Lucas se refere a promessa; naquela ele refere-se ao cumprimento da mesma. Lucas está, claramente, narrando a experiência fenomenológica de poder no Espírito, literalmente profetizada por Jesus, registrada pelo próprio Lucas no seu Evangelho (Lc 24.49) e confirmada por ele nos Atos dos Apóstolos (1.4,5).
Entretanto, o texto de Efésios 5 apresenta o assunto sobre o “enchimento do Espírito” numa outra perspectiva. O apóstolo remete o leitor à ideia de que ser cheio do Espírito é uma experiência transcendental diametralmente interligada ao comportamento daquele que encarnou em si mesmo o Evangelho de Jesus. A transcendência no Espírito se caracteriza como o fruto da intimidade com Deus (vv.1-3) manifestada pelo crente na dimensão de um relacionamento de amor com o próximo. Vejamos:
(1) No versículo 18 a expressão embriagues (gr. methyskesthe)3 realça a ideia da falta de autocontrole do indivíduo; libertinagem ou devassidão (gr. asôtia)4 significa o excesso comportamental, imoralidade. Mas, a expressão “Enchei-vos” (gr. plêpousthe)5 denota a tese de ser dominado pelo Espírito, absolutamente controlado por Ele. (2) Nos versículos 19 e 20 o ser cheio do Espírito implica participar na comunidade do culto espiritual [aqui, os cânticos espirituais são consequências espontâneas do Espírito]. E a consequência disto não pode ser outra: o crente é capacitado a sujeitar-se ao outro em amor. (3) No versículo 21 a prática do amor é o resultado do enchimento do Espírito. É estar cheio de Deus, do seu amor e comunhão. Logo, a consequência natural do culto verdadeiro a Deus é uma predisposição de sujeitar-se ao outro em amor.
A mensagem de Efésios é clara e taxativa: o ser cheio do Espírito implica no amor mútuo da comunidade que se chama pelo nome do Senhor. Pois o ato de servir a Deus se dá nas dimensões vertical (Deus) e horizontal (o outro, o próximo). Na perspectiva vertical, somos chamados a amar e temer ao Senhor de todo o coração, força e pensamento (Mc 12.30); na horizontal, amar sinceramente o próximo como a si mesmo (Mc 12.31). Estas são as ordenanças do Evangelho para a vida (Mc 12.30,31).
É nessa perspectiva de espiritualidade vertical e horizontal, que o restante do capítulo cinco de Efésios — até o versículo nove do capítulo seis — falará do inter-relacionamento entre “esposo e esposa”; “pais e filhos”; “patrões e funcionários”. O apóstolo Paulo denota que ambos, em amor, devam sujeitar-se ao outro para fazer o bem e amarem-se em Jesus Cristo.  
O amor cristão deve se manifestar em todo e qualquer ambiente que demanda o relacionamento humano. Principalmente nos círculos cristãos. Entretanto, é importante ressaltar que antes de firmarmos compromissos com pessoas de diversos seguimentos — o matrimonial, o maternal, paternal e o profissional — temos laços de irmandade estabelecidos com elas numa perspectiva discipuladora de Jesus de Nazaré. Naturalmente, o amor descrito aqui, não é nem pode ser um amor de viés obrigatório, pois amor compelido não é amor verdadeiro. Este é voluntário, espontâneo e não espera nada em troca. O amor demonstrado por Jesus nos designa a ser um e somente um corpo com Ele. Por isso podemos destacar alguns desdobramentos do amor na relação profissional entre funcionário → patrão:
1. Nos versículos 5,6. Enquanto funcionários de uma empresa, nossa real motivação deve ser a do respeito, pois somos chamados a viver numa dimensão de serviço a Deus, mas também aos homens. De sorte, não há como honrar a Deus se a minha dimensão relacional com os homens de autoridade está confusa ou quebrada. É impossível viver um dualismo entre “servir a Deus” e “não servir o próximo”, pois a ideia central expressa no capítulo 5 de Efésios é essa: “sujeitai-vos uns aos outros em amor”.
2. Nos versículos 7,8. Aqui, o discípulo de Jesus é convidado a fazer o bem e se aperfeiçoar naquilo que faz, não somente por causa do patrão, mas acima de tudo por Cristo. É aí que se revela a própria realização humana, pois patrão e funcionário têm um mesmo Senhor! Não há favoritismo de Deus nessa relação. O mesmo Senhor que auxilia o patrão é o mesmo que auxilia o funcionário. NEle, ambos são irmãos.
3. No versículo 9. O tratamento dos patrões para com os funcionários deve ser no mesmo espírito dos funcionários para com os patrões: sujeição mútua. A Bíblia NVI descreve assim este princípio: “Vocês, senhores [patrões], tratem seus escravos [funcionários] da mesma forma” (Acréscimos). Aqui, não há privilégios para nenhuma parte. Logo, o princípio que norteia o relacionamento entre funcionários e patrões cristãos é o da disponibilidade de um servir ao outro em amor como quem serve ao Senhor (Ef 5.21). É incrível como o ensino do apóstolo revelado nestas linhas é revolucionário e a frente do seu tempo. Ele mostra que os patrões não apenas têm direito, mas também obrigações a respeito da dignidade dos funcionários e estes não apenas obrigações para com aqueles, mas direitos também.6 Ambos, em amor, têm direito e deveres. Contra isto, diz as Escrituras Sagradas, não há lei (Gl 5.22,23).
Se você é o patrão hoje, o que pensar sobre o que a Epístola aos Efésios diz a respeito da tua relação com o teu funcionário? E você que é funcionário, como enxergar esta relação com o teu patrão? Certa feita o nosso Senhor disse que no mundo gentílico o mais forte subjugar o mais fraco era perfeitamente normal. Mas entre nós, não! Entre nós não poderia, e nem pode, ser assim! Entre cristãos, o amor mútuo dos irmãos é quem deve sobrepujar. Então, na dimensão do Espírito Santo, cada qual exercerá o seu próprio papel, seja na função de patrão ou na de funcionário. Afinal de contas, hoje você é o patrão, mas amanhã poderás tornar-se um funcionário ou vice-versa. Mas ambos não podem se esquecer: “Sujeitai-vos um ao outro em amor” a qualquer tempo e em qualquer dimensão profissional, seja ou não cristã. Paz e bem!

Marcelo de Oliveira e Oliveira é redator do Setor de Educação Cristã da CPAD, bacharel em Teologia e professor.

NOTAS

1 STAMPS, Donald C (Ed.). Bíblia de Estudo Pentecostal: Antigo e Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.1805-06.
2 ADAMS, J. Wesley; STAMPS, Donald C. Efésios. In, ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2.ed. Rio de  Janeiro: CPAD, 2004, p.1193.
3 OLIVETTI, Odayr; GOMES, Paulo Sérgio. Novo Testamento interlinear analítico Grego — Português: Texto Majoritário com Aparato Crítico. 1.ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2008, p.734.
4 OLIVETTI, Odayr; GOMES, Paulo Sérgio, 2008, p.734.
5 Ibidem.
6 HAVENER, Ivan. Efésios. In, BERGANT, Dianne; KARRIS, Robert J. (Orgs.) Comentário Bíblico. 3.ed. vol. 3. São Paulo: Edições Loyola, 2001, p.251.

Artigo publicado no Jornal Mensageiro da Paz, órgão oficial das Assembleias de Deus, do mês de Maio. 

sábado, 6 de abril de 2013

Zé Cláudio e Maria: julgamento dos acusados


Zé Cláudio e Maria: julgamento dos acusados


Foto: Felipe Milanez
Foi lamentável o resultado do julgamento dos acusados pelo assassinato dos extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, mortos há dois anos, no assentamento Praialta-Piranheira, em Nova Ipixuna, sudeste do Pará.
 
Ontem (4/4), o júri popular absolveu o pecuarista José Rodrigues Moreira, apontado pelo Ministério Público como mandante da morte do casal. O irmão dele, Lindonjonson Silva Rocha, foi condenado a 42 anos e oito meses, por ter armado a emboscada, e Alberto Lopes Nascimento, apontado como autor do duplo homicídio, a 45 anos. 

A justificativa para a sentença foi a falta de provas que ligassem Moreira aos crimes.  Como resposta a promotoria anunciou que vai recorrer da decisão, proferida pelo juiz Murilo Lemos Simão. Os representantes de movimentos sociais que acampavam em frente ao fórum protestaram fechando a rodovia Transamazônica e apedrejando o prédio onde foi realizado o julgamento.

Em nota, a Anistia Internacional afirmou que "a impunidade dos crimes cometidos contra defensores de direitos humanos fortalece a ação daqueles que agem fora da lei e contra a preservação dos bens naturais do país. E mantém a luta dos defensores e defensoras dos direitos humanos como uma atividade de alto risco, na qual agressões e ameaças buscam sempre silenciar sua voz."

Enquanto não se tem uma nova resposta da Justiça à ação da promotoria, o clima de tensão e medo continua para Laísa Santos Sampaio, irmã de Maria do Espírito Santo, e uma das testemunhas de acusação. Ela está sofrendo ameaças de morte e, com a soltura de Rodrigues, fica ainda mais vulnerável. (saiba mais)

A Rede Sustentabilidade continuará a acompanhar o caso, ciente de que a solução para evitar crimes como este - e outros motivados pela disputa de terras para produção agropecuária -passa pela atuação efetiva do Estado. “No momento em que o governo abre mão de fazer esse papel, deixa a disputa acontecer entre forças que estão extremamente desiguais”, lembra Adriana Ramos, do Isa. Leis para garantir os direitos territoriais de comunidades já existem. O que falta é defendê-las e colocá-las em prática.
Meu comentário: O que esperar de um país que não tem a ousadia de intervir numa região absolutamente sem lei. Quantos Zés Cláudios, marias, irmãs Doroty precisarão morrer para que se escute o clamor desses sangues derramados. Alio-me ao posicionamento da ex-senadora Marina Silva. O estado brasileiro precisa intervir no Estado do Pará. Precisa fazer valer a lei que regulamenta os direitos territoriais das comunidades que vivem da terra. Os extrativistas não podem continuar matando pessoas a bel-prazer com a certeza da impunidade. 
Espero que como eu, você fique indignado com mais uma das milhares de injustiças presentes no Estado brasileiro.  

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Um conselho para os pregadores:



"Não tentem tornar a Bíblia relevante. Sua relevância é axiomática [...]. Não defendam a Palavra de Deus, mas deem testemunho dela [...]. Confiem na Palavra."

(Dietrich Bonhoeffer)


P.S. METAXAS, Eric. BONHOEFFER: Pastor, Mártir, Profeta, Espião. 1.ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2011, p.291.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Bento XVI renunciará ao papado

O mundo acordou surpreendido na manhã de hoje. O papa Bento XVI anunciou que no dia 28 de Fevereiro, a partir das 20hs, deixará o cargo mais alto do Vaticano. Uma notícia que atingiu em cheio a organização da Jornada Mundial da Juventude que se realizará na cidade do Rio de Janeiro, no mês de Julho. Alegando problema de saúde física, Bento XVI afirmou não reunir mais condições  normais para enfrentar os grandes compromissos e desgastes de um cargo de dimensões complexas. O Bispo de Roma já dava indício de uma possível renúncia, como por exemplo, numa entrevista a um jornalista alemão, na obra publicada pela editora Paulinas - Luz do Mundo - Bento XVI afirmara que não ficaria no papado se após a um profundo exame de consciência constatasse a sua incompatibilidade física de prosseguir com o cargo. Com essa renúncia, o maior intelectual católico romano denota a necessidade de uma renovação na cúria romana.
O Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempeste, em entrevista a imprensa para informar como a organização da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro vê essa renúncia, também disse que Bento XVI chegou a falar se ele não fosse à Jornada o seu sucessor iria - pois desde 1980 é padrão o papa romano comparecer às todas as Jornadas Mundial da Juventude.
É natural que essa notícia faça sugerir possíveis nomes para a sucessão de Bento XI. Além de bispos latinos-americanos da Colômbia, da Argentina (dois) e do Peru, o nome do brasileiro Dom Odilo Sherer, Arcebispo de São Paulo, é muito bem lembrado. Mas essas especulações não passa disso, especulações. Como dizem os especialista da política no Vaticano: "No conclave, quem entra Papa sai Cardeal".
A renúncia do Papa Bento XVI trás, sem dúvida, muita reflexão para a nossa prática de governo eclesiástico. Perguntas como:
  1. Qual é a hora de um pastor parar? 
  2. O pastorado é vitalício?
  3. Como conciliar a linha tênue "renúncia pastoral" e "saúde da igreja"?

Devem ser respondidas após um sério exame de consciência e honestidade para conosco e as pessoas com quem lidamos. A natureza do cargo pastoral é divina, pois é Deus quem chama e vocaciona. Mas é humana também, pois é preciso saúde física e psicológica para exercê-lo com plenitude e competências físicas e espirituais.

P.S. Numa perspectiva da História Eclesiástica, estamos vivendo um momento histórico. Em toda a história dos papas romanos apenas um renunciou por vontade própria, foi na Idade Média: o Papa Celestino V - 1294. Bento XVI é o segundo Papa em toda a história da igreja romana a renunciar por livre e espontânea vontade. Acho interessante a análise de um especialista em fé e cultura da PUC - SP, quando ele responde a um jornalista sobre como o Papa ficará conhecido na história. Ele diz: "João Paulo II foi o Papa que fechou o ciclo do Modernismo. Bento XVI é quem abriu o ciclo do Pós-Modernismo".  

M.O.O.
Rio de Janeiro, RJ.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Quando virtudes podem virar vícios

Ricardo Gondim

Genialidade e loucura caminham próximas. De médico, juiz, comentarista de futebol, teólogo e doido tudo mundo tem um pouco. Não faltam histórias de pessoas inteligentes com um parafuso frouxo. Se gênios vivem entre a excepcionalidade e o lunatismo, todos, com atos e atitudes, perigam desequilibrar, tingindo a vida com a cor da maldade.
Bibliófilo assumido, gosto de sebos. Certa vez, caminhando pelos corredores empoeirados de um alfarrábio, notei uma enorme quantidade de livros empilhados; todos da mesma pessoa. O gerente relatou  que aqueles livros pertenceram a um burocrata, desses incansáveis batedores de ponto, que não tira férias. Chegou um novo chefe do departamento e diante da necessidade de re-organizar o setor, o impoluto empregado se viu obrigado a sair de férias – depois de 17 anos. Cumpridos os trinta dias de afastamento, o homem voltou para uma nova sala;  móveis, armários, cadeiras, tudo estava “fora do lugar”.
Revoltado com a nova disposição, o rígido e obediente funcionário não conseguiu se adequar. No sofá, onde gostava de ler, colocou o cano da pistola na boca e puxou o gatilho. O minucioso zelo pelo trabalho, a obsessiva disciplina, a inconformidade aos novos ventos, aprofundaram sua neurose. Pareceu-lhe melhor morrer a ter que amargar as transformações que o tempo impõe. Entre os livros empilhados, comprei um para nunca esquecer aquela história.
Sim, virtudes podem adoecer. Inteligência não previne sociopatia. Conservadorismo não significa saúde mental.
Sinceros correm o risco de se tornarem inconvenientes. É desagradável conviver com a transparência dos que têm o dever de se mostrarem cândidos. Calar certas verdades que vimos nos outros muitas vezes não é mentir, apenas respeitar. Dizer o que “dá na telha”  nem sempre expressa franqueza. Muitas vezes “confrontação” não passa de desejo de vingança. Sinceridade deve vir precedida pela graça.
Toda virtude pode descambar em vício. Os corajosos devem cuidar para não permitir que coragem se transforme em obstinação – e teimosos correm o risco de atropelar pessoas e sentimentos. Intrepidez sem equilíbrio pode transformar-se em obsessão.  Zelo sem moderação pode degenerar em ativismo. Diligentes, absorvidos no dever, podem sofrer da síndrome da “trabalholatria”. Justos mal sabem que messianismo lhes espreita em cada esquina.  Só se aproveita a integridade quando ela não induz à auto-veneração. Extrapolar na busca da perfeição desencadeia preciosismo, que leva à meticulosidade asfixiante. Gente exageradamente criteriosa se considera palmatória do mundo, xeretando o que não deve.
Fé pode degringolar no sério desvio da credulidade, deixando a pessoa sem bom senso. Provérbios afirma: “O inexperiente acredita em qualquer coisa, mas o homem prudente vê bem onde pisa” (14.15). No extremo oposto, fé pode gerar presunção; pessoas se imaginam com tanta certeza espiritual que alucinam, acreditando poderem se antecipar ao que Deus faria.
Andar ao lado de pessoas obcecadas por exigências sobre-humanas pode adoecer. Melhor caminhar com quem vive com leveza. Vale conviver com quem sabe relaxar, rir de si  mesmo e celebrar a vida despretensiosamente.

Soli Deo Gloria

Fonte: http://www.ricardogondim.com.br/meditacoes/vicios-e-virtudes/