sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A LEVEZA DE DEUS

Por
 
Liesel Hoffmann
 
Durante os quase 30 dias que estive na República Tcheca (procurei no Google a versão portuguesa para "Tschechischen Republik", havia me esquecido de como se escrevia.... kkk) tive a oportunidade de conhecer a Malga, uma amiga querida que tem uma visão sobre Deus e religião muito parecida com o que venho lendo ultimamente. Numa de nossas conversas no intervalo do treinamento ela me disse algo que vou guardar pra sempre: "Deus fica muito mais leve quando não vem acompanhado de nenhum credo religioso".

Pensei: por que as religiões seguiram o caminho de afastar as pessoas de Deus? Logo a religião, que por definição deveria aproximar as pessoas do divino. Colocaram ao lado de Deus um conjunto de regras, imposições, manuais, "faça e não faça" que acaba por afastar as pessoas dele. Li outro dia que Jesus disse que o Celeste Reino é como uma moeda perdida. Logo pensei: como comparar uma coisa tão grande com algo tão insignificante? A Malga me disse: porque Deus é simples, quem o complicou foi a religião. Cada religião, ao trazer para si a ideia de que e a única, exclusiva e portadora da verdadeira mensagem sobre Deus acabou por criar um sistema perigoso, que faz com que os que não sigam aquele modo de ver a fé sejam vistos como pessoas infiéis, como pessoas "perdidas". Isso é tão perigoso! Nem Jesus jamais tratou as pessoas assim! Pelo contrário, perdoou mulheres que traíam maridos, almoçou na casa de cobradores de impostos e atendeu ao pedido de uma estrangeira. 

Quando eu leio essas coisas sobre Jesus eu penso quando foi que a religião passou a complicá-lo tanto. Jesus nunca quis fundar um sistema cheio de regras, determinações e ordens a serem seguidas. Não consigo ver Jesus usando as roupas do Papa Benedictus XVI. Não consigo imaginar Jesus sentado num trono de ouro numa catedral majestosa saudando a multidão de longe numa janelinha. Não consigo ver Jesus descendo de um carro luxuoso com as portas abertas por um mordomo que ajeita seu terno caríssimo e limpa seus sapatos. Jesus falava embaixo de árvores. Conversava olho no olho. Lavava os pés dos seus seguidores. Não é ótimo isso? Saber que Jesus era uma pessoa comum, das pessoas, com todo respeito era "uma pessoa qualquer". E como "qualquer" mostrou que Deus é para qualquer um.

Essa mesma amiga me disse: acho que se Nietzche se encontrasse hoje com Jesus diria: "cara, você não faz ideia do que fizeram com sua mensagem". Na hora eu ri mas depois vi que é verdade. Porque o que se vê como religião hoje não se parece nada com o que Jesus queria que fosse. É tão simples viver como Jesus nos ensinou, mas tão difícil viver como a religião ensina. Deus é tão leve quando não o vemos com os olhos da religião!

Jesus era simples. E quis apenas mostrar às pessoas que existe um jeito leve de viver. Um jeito s[t]ão simples, mas tão simples que que pode ser comparado com uma moeda perdida em casa. 
 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

MANTENDO A IDENTIDADE DA IGREJA

A maior “instituição” do mundo, edificada por Jesus de Nazaré há mais de dois mil anos, denominamos Igreja (Mt 16.18). Naturalmente à Igreja descrita nos evangelhos não se trata de prédio, denominação ou associação legalmente registrada em cartório. Mas de pessoas advindas de variadas regiões – judeus ou gentios – do mundo. Pessoas que, muitas vezes, marginalizadas e ignoradas por outras cognominadas eclesiásticas, fazem e forma a igreja local numa determinada região geográfica. Antes de se pensar em prédio ou construções devemos atentar para o fator “pessoalidade”. Igreja não é um grupo alheio às demandas pessoais. O lugar onde reunimo-nos semanalmente em nome do Senhor só tem razão de ser porque é composto por pessoas de corpo e alma. Jesus exalava cheiro de ovelhas. Ele pensava e só importava-se com elas, as pessoas (Mc 6.34). Sim, pessoas, pessoas e pessoas. Pensemos em pessoas!
No mundo contemporâneo, as instituições basilares da sociedade ― tais como, famílias, igrejas, escolas e outras ― sofrem repentinas mudanças. Uma das mais graves é a eclesiástica. Indivíduos que pensam a Igreja apenas como mera instituição portadora de um conglomerado de rituais frios e secos ― o fisiologismo eclesiástico ― são tremendos parasitas. Servem apenas para sugar a sensibilidade humana dos crentes. Isso desencoraja qualquer um de levar a sério o Evangelho que proclamamos como a melhor mensagem do mundo. Ora, se não há coerência entre o que falamos e fazemos como podemos esperar alguma resposta positiva em relação à Boa Notícia que anunciamos? Ela só é Boa Notícia quando o portador desta revela a sua coerência com a própria vida. Se não for assim, não podemos nem prosseguir em nossa jornada discipuladora. Do contrário será comum ouvirmos expressões ― E quem nunca as ouviu? ― “A igreja de hoje não é mais a mesma!”; “Ah, ela perdeu a sua Identidade.” Mas, afinal de contas, o que se quer dizer com a expressão “a igreja perdeu a sua identidade?”
O dicionário de língua portuguesa, Caldas Aulete, chama identidade “o conjunto de características próprias de uma pessoa, um grupo etc. e que possibilitam a sua identificação ou reconhecimento”. A partir deste conceito, sabemos que o verdadeiro caráter de uma pessoa desnuda absolutamente o seu ser. Não há o que esconder. Ela é o que é na frente ou na ausência de qualquer indivíduo. Quando a mente e o coração estão impregnados da essência do Evangelho, somos acometidos por uma consciência avassaladora a ponto de mudarmos pensamentos, desejos e vontades do coração. Aqui, ocorre a Metanoia ― uma revolução da mentalidade, um novo pensamento. Pois o Evangelho é “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16)!   
A Igreja de Cristo possui uma identidade pela qual é reconhecida desde os primórdios temporais: o Amor (Jo 13.34,35). À luz do capítulo 2 do livro dos Atos dos Apóstolos podemos averiguar a prática vertical e horizontal desse amor: Deus e o próximo. O Texto Sagrado a confirma no versículo 42: Preservação do Ensino (Evangelho); Comunhão entre irmãos; Serviço ao próximo. São estas as características que formaram a identidade da Igreja apostólica. E têm elas muito a nos ensinar. Todavia, algumas perguntas são inevitáveis. Como identidade, o que se pretende preservar? No que concerne à Igreja, de que identidade está se falando? A do Evangelho ou a temporal? Que identidade procuramos assegurar? A da Igreja que serve o próximo ou daquela que serve-se do próximo? Que identidade queremos manter? A de Cristo? Então deve-se deixar bem claro: é preciso que o Evangelho de Jesus permeie a mente e o coração daquele que se diz seu discípulo. Doutra maneira, não passaremos de pessoas apegadas a uma identidade forjada nas raias das tradições humanas e que nada têm haver com as Boas Novas de Jesus. Cada um examine-se a si mesmo! Pois não há identidade mais fiel ao meigo nazareno do que essa: “com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” (Jo 13.35 – NVI).
O amor do Pai impele pessoas comuns sem preconceitos de cor, sexo, classe social e etnia a proclamar Jesus como o Deus encarnado, mas humano também; que morreu e ressuscitou. E agora está a destra do Eterno amando com mui grande amor cada criatura humana. Nele não há acepção de pessoas. Ele as ama infinitamente além do que se pode pensar e imaginar. O amor de Jesus constrange-nos à prática do amor pessoal e mútuo à sociedade onde vivemos.
Não há maior desserviço para o Evangelho do que proclamar uma mensagem como verdade que não o é para nós. Não pode haver fingimento com Jesus. Pode-se disfarçar no ritual eclesiástico. Dissimular por trás do púlpito. E declarar até uma verdade, mas com pressupostos de mentiras. Com trajes de piedade, aparência de espiritualidade e porte de quem conhece todos os mistérios transcendentais. Tudo isso, no entanto, não quer dizer nada para Jesus. O ensino do meigo nazareno desconstrói as aparências e as construções da religião humana pelo simples fato: Nele, habitam a verdade e a sinceridade. Por isso o proclamamos como o nosso Emanuel. O exemplo de Jesus de Nazaré impele-nos a viver o seu estilo de vida deixado para todos quantos o ouvem: Amar e Servir o próximo (Mc 12.31).  Apresentamos Jesus como Àquele que conduz o homem, da escravidão do pecado, a comunhão coletiva e libertadora de sua Igreja (duas ou mais pessoas, comunidades e assembleias espalhadas pelo mundo).
Dito isto, digo com verdade e não minto: manter a identidade da Igreja não significa manter os caprichos eclesiásticos humanos. Não é fazer a manutenção das estruturas de poder e, muitos menos, de poderosos sistemas que insistem em impedir o florescimento do Evangelho no coração das pessoas mais simples (Mt 23.13). Você pode me perguntar: Mas, como assim poderosos sistemas contra o florescimento do Evangelho? E eu lhe respondo: tudo o que não visa libertar o ser humano da opressão humana é contra o espírito do Evangelho. Tudo o que não leva liberdade a pessoa em Deus e perante os homens é contra o espírito de Cristo. O que não promove vida, realização humana e sinceridade das entranhas são contra o espírito de Jesus de Nazaré.
Note, o prezado leitor, que você não encontrará palavras de Jesus que não faça brotar vida em abundância. E abundância aqui não é a perspectiva mundana de prosperidade, mas a do Evangelho. Este confronta-nos e desafia-nos a mexer na estrutura total da vida. Nosso estilo de viver ― gostos, consumos, lazer, entretenimento, trabalho, etc. ― é diretamente confrontado com o de Jesus. Não há como ficar indiferente a Ele. A não ser que forcemos a cauterização da consciência. Pois tudo o que não partir da consciência pessoal do Evangelho para nada presta. A vida de Jesus, segundo os Evangelhos, é construída por consciência. Jamais por conveniência!   
Acredito que vivemos, no Brasil, um dos tempos mais difíceis no arraial do que chamamos “Igreja Evangélica Brasileira”. Em muitos lugares quando se tenta viver o espírito do Evangelho, recebe-se a pecha de herege. Quem usa desse subterfúgio para fazer calar a voz profética do Evangelho, esquece-se de que em relação ao sistema corrompido do judaísmo Jesus também foi cunhado de herege. Não só cunhado, mas condenado em primeira instância, por homens da religião e autoridade romana, a pagar com a própria vida pela verdade que afirmou: Eu Sou Deus (Mt 16.16,17). De fato, eles não aguentam o grito, a voz e o ressoar do Evangelho. Este denuncia, tira a sujeira debaixo do tapete, fala a verdade e confronta-nos a inverdade que habita em nós.
Portanto, proclamemos a pessoa de Jesus com poder, mas vivamos a comunhão com graça e pratiquemos o serviço ao próximo como verdade daquilo que dizemos. No final sobrará apenas uma identidade: Aquilo que eu pratico se verdade for, o que eu falar verdade será; pois o amor que brota do coração de Jesus em nossos corações verdade é. Então, podemos afirmar a verdade do amor a Cristo na ousadia do apóstolo do amor: “Amamos o Senhor porque ele nos amou primeiro” (1 Jo 4.19).  Amemos, Amemos!

M.O.O.
Rio de Janeiro, RJ.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

UMA DICA PARA ELEIÇÃO CARIOCA DE VEREADORES 2012



Prezados leitores,

Paz e Bem!

         Nunca me envolvi em campanha eleitoral e nem trabalhei para nenhum político por dinheiro algum. Pois acredito que a política deve ser feita de acordo com aquilo que você acredita ser verdadeiro. E, portanto, qualquer militância deve ser vuluntária.
       Tenho uma linha política que trilha o caminho da Sustentabilidade como já postei em texto anteriores.  Mas não poderia deixar de apoiar o meu amigo Professor Washington Reis.
         Não se trata de um político profissional. Washington Reis é Mestrando em Letras Clássicas - Língua e Literatura Latinas - pela UFRJ. Pós-graduado em Língua Latina pela UERJ. Bacharel em Letras - Português/Latim - pela UFRJ. E como articulista, escreve diversos artigos sobre Política, Educação, Problemas Brasileiros, Religião e outros temas tangenciais para o seu site, para o Jornal da Liga Católica e para a revista eletrônica Debates Culturais. Além disso tudo, é um ser humano ético, íntegro e humano. E bom católico também.
         Portanto, a pessoa que eu apresento a vocês não é um aventureiro, mas alguém que, desde o tempo em que trabalhávamos juntos na CSU CardSystem S/A (2004 - 2007), demonstra tino político e muita vontade de contrubuir para a sociedade.
         Por isso, prezado leitor, se você não tem um candidato a vereador, peço-lhe que conheça mais do meu amigo Washington Reis. O Site é: http://washingtonreis.pro.br/

        Em Cristo,

        M.O.O.
        Rio de Janeiro, RJ.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

ESBOÇO DO SERMÃO: VIRTUDES QUE DESTACAM O CARÁTER DO VERDADEIRO CRISTÃO

Por
Marcelo de Oliveira e Oliveira

Texto Bíblico: Gálatas 5.16 - 23


I. CONSIDERAÇÕES GERAIS

1. Autor: Apóstolo Paulo, servo de Jesus Cristo (Gl 1.1).
2. Destinatário: As igrejas gentílicas situadas na região da Ásia Menor, na Galácia (Gl 1.2).
3. O problema da igreja: O ensino judaizante estava, precocemente, dominando os gálatas (Gl 1.6-10).
4.  A solução: O apóstolo refaz, com os gálatas, o caminho do ensino do Evangelho. Uma espécie de reminiscência: Paulo x Pedro (Cap. 2); Fé e Obediência (Cap. 3); Lei e Promessa (Cap. 3); Afiliação dos gálatas (Cap. 4.1-7); Sara e Hagar, e o chamado para a liberdade (Cap. 4.21-31).

II. QUESTÕES DOUTRINÁRIAS (CAP. 5)

1. A tradição judaica não pode ser alçada sobre a liberdade cristã: Recuar para Lei é retroceder no Evangelho (v.4).
2. A liberdade cristã não é para satisfazer desejos "carnais"; a liberdade é para servir o próximo (v.13).
3. O que importa para a vida cristã é "a fé que age pelo amor" (v.6).
4. Aqui, o apóstolo Paulo estabelece duas imagens que remontam esta guerra entre o "si mesmo [carne]" e o "servir o próximo: CARNE [do gr. σαρκός, sarkós]1, aqui, significa a natureza não regenerada. É o ser humano, segundo John J. Pilch, fraco, materialista, soberbo, autoconfiante (vv.19,20);2 ESPÍRITO [do gr. πνεύματικός, pneumatikós] o homem espiritual (bom ou mau).3 É a ualidade ou caráter do Espírito que reflete a essência consciente e solícita do Evangelho no indivíduo (vv.22,23).
5. O verbo "andai" ou "vivam" [no gr. περιπατειτε, peripateite - dirijo minha vida, vivo], no versículo 16, está no tempo presente evocando uma linha de conduta permanente e um estilo de vida completo na perspectiva do Evangelho e na liberdade do Espírito. Não é apenas uma ato isolado ou individual da pessoa.4

III. QUESTÃOS APLICATIVAS [DIZER X FAZER]

1. Viver no Espírito é viver rejeitando qualquer tradição humana que venha cobrir a liberdade e a infinitude do Espírito. Pois Ele sopra onde quer!
2. Vivendo em Amor mútuo. Não se degladiando uns com os outros.
3. O fruto do Espírito é a manifestação da fé viva que age pelo amor.
4. O fruto do Espírito reflete o caráter verdadeiro do discípulo de Cristo.
  
NOTAS
1 TAYLOR, W. C. Dicionário do NT Grego. 10. ed. Rio de Janeiro: Imprensa Batista Regular, 2001, p.196.
2 BERGANT, Dianne; KARRIS, Robert J. (Org.) Comentário Bíblico: Evangelhos e Atos, Cartas e Apocalipse. Volume 3. 3. ed.São Paulo: Edições Loyola, 2001, p.242.
3 TAYLOR, W. C. Dicionário do NT Grego. 10. ed. Rio de Janeiro: Imprensa Batista Regular, 2001, p.178.
4 BERGANT, Dianne; KARRIS, Robert J. (Org.) Comentário Bíblico: Evangelhos e Atos, Cartas e Apocalipse. Volume 3. 3. ed.São Paulo: Edições Loyola, 2001, p.242.

Obs: Sermão pregado no culto semanal da CPAD, no Auditório Nels Nelson, no dia 22 de Agosto de 2012.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Indelicadezas!


Por

Liesel Hoffmann

        Como posso explicar o prazer que algumas pessoas sentem em derrubar a felicidade dos outros? Algumas pessoas parecem amar a sensação de destruir a felicidade alheia. 

       Hoje presenciei no metrô uma situação tão constrangedora que não tive como não intervir. Enquanto aguardava o metrô em Alexanderplatz uma garota aguardava ansiosamente algo mais que a composição. Quando vi um rapaz subindo as escadas da estação, e ela se dirigindo alegremente a ele. Vieram caminhando e pararam na minha frente. Não tive como não ouvir a conversa de ambos. Ela o aguardava para mostrar o novo corte de cabelo. Ela era muito bonita, com cabelo curto, vermelho (quase igual ao meu) e minissaia preta. Estava realmente linda, mas o namorado parece não ter gostado. Quando se viram ele perguntou de pronto: o que você fez no seu cabelo? Ela percebeu o tom ríspido na palavra dele, mas mesmo assim ainda arriscou dizer: você gostou? Ele: "claro que não, você está parecendo um homem, e eu não quero homens, quero mulheres. Não sei que prazer é esse que vocês sentem em cortar o cabelo igual a um homem, vocês são ridículas". Disse isso e virou as costas e foi embora. 

       O estrago não foi pior porque a estação estava vazia! Além da garota havia apenas uma senhora que não deve ter prestado a atenção no que aconteceu e eu, que estava quase ao lado deles. A garota começou a chorar em plena estação. Não consegui resistir e me aproximei dela. Disse que se chamava Kirsten e que havia combinado de passar o dia com o namorado, para comemorar o 1° aniversário de namoro. Nem devo dizer que a comemoração estava totalmente acabada ali mesmo. Não sabia o que dizer à garota. Já fui vítima de indelicadezas parecidas, mas nenhuma tão grosseira como essa. Disse apenas para ela não se importar, pois ela estava linda, e com certeza muita gente havia achado isso, também. A moça me sorriu e disse que havia gostado tanto do novo visual, disse que antes tinha o cabelo comprido e loiro. Pensou que o namorado gostaria, mas se enganou. 

      Ele tem o total direito de não gostar, claro. Mas não tem nenhum direito de estragar a alegria de outras pessoas. Principalmente da garota que ele diz amar. Por que as pessoas são tão indelicadas assim? Já tive situações em que tive de elogiar visuais de amigos que eu simplesmente considerei estranhíssimos. Mas quem sou eu para estragar a felicidade alheia? 

      Penso que eu nunca devo ser portadora de tristeza, ou motivo de chateação pra alguém. Se eu não puder ser motivo de alegria, então que nao seja motivo de nada. mas nunca de tristeza!
 


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

CARTA A UM AMIGO

Caro Amigo,

Paz e Bem!

Escrevo-lhe como irmão e amigo em Cristo. Pois o momento que você está passando é semelhante ao que eu passei. Medo, angústia, insegurança e a sensação de impotência abalam o nosso emocional deixando o psicológico em frangalhos.
Amigo, nessas horas o mais importante é você compreender o processo psicológico que desencadeou na sua alma e no seu inconsciente. É confessar para você mesmo, e diante de Deus, o quanto está aflito e desamparado. Saber que nesse processo a ajuda virá a partir do reconhecimento que você fará dos seus medos, angústias e impotências.
O medo que você sente é de infartar? Quando começa lhe dar sensações e sintomas típicos do infarto, você começa ficar nervoso pensando que não conseguirá chegar a tempo no hospital? O aparelho de medição da pressão arterial se tornou o seu companheiro inseparável? Se as respostas a essas perguntas forem sim, estamos mais próximos do que nunca. Pois foram exatamente esses sintomas que me atacaram o corpo, mas, acima de tudo, o meu psicológico.
Envio-lhe essa pequena mensagem somente para lhe dizer que você não está sozinho nessa questão. Eu passei, e ainda estou em tratamento, milhares de pessoas passaram, e continuam nesse processo pós-traumático.
Amigo, busque ajuda espiritual. Mas busque a médica também. Você pode começar meditando no Salmo 23.4 – que foi um bálsamo nas crises mais difíceis que vieram sobre mim:

Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mau algum, porque tu estás comigo.

Ainda, medite no Salmo 38. Ali, é exposta a dor e aflição na alma do salmista, mas ele espera o auxílio do altíssimo. Se lance para Deus e para as pessoas que te amam. Deixe a vergonha de lado e chore quando tiver que chorar, pois nessas horas não há melhor remédio que o choro. Ele faz extravasar a nossa emoção retida. Jamais retenha a sua emoção, exponha-a. Em primeiro lugar para Deus e depois para a pessoa que você ama. Não esqueça que ela está sofrendo ao lhe ver sofrer.
    E "não tente consertar o mundo. Você precisa consertar o seu primeiro”. Esse foi um precioso conselho da minha cardiologista.

Amigo, estou orando por você! E desejo-lhe uma vida saudável.

Em Cristo,

M.O.O
Rio de Janeiro - RJ.

Em tempo: Esse texto não pretende oferecer qualquer orientação de cunho médico ou psicológico, devendo o leitor que se identificar com os sintomas descritos procurar uma assistência especializada.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Tempo, tempo

A política chega ao "miolo do vulcão" e seus agentes parecem o avesso de Midas: aspiram produzir os grandes relatos da história, mas tudo o que tocam, como ironizou Peter Sloterdijk, resulta algo "involuntariamente pequeno".
O julgamento, na mais elevada corte, de uma denúncia de corrupção, conhecida como mensalão, em vez de firmar os pesos na balança da Justiça mais parece atiçar a fogueira das vaidades e reforçar os vícios que lhe deram origem.
Uma CPI que deveria punir a continuidade renitente dos esquemas criminosos no Estado e estancar a cachoeira da corrupção vira um show de vergonhas. Ali, os que têm algo a dizer ficam em silêncio e os que não têm gritam.
Uma campanha eleitoral se arrasta nas ruas e se anuncia na TV desconhecendo as cidades e seus problemas para focar-se na disputa de poder, com alianças, discursos e marketing que lembram uma liquidação no comércio varejista.
Tudo o que minha geração batizou de "velha política" mostra sua capacidade de agarrar-se nas estruturas materiais e mentais e dali contaminar todo o organismo do país.
Assim, se uma lei de proteção às florestas pode ser desfigurada para servir ao setor mais retrógado do ruralismo, o passo seguinte é constranger a sociedade e os ambientalistas a largarem seus princípios e propostas e aderirem ao "mal menor", a versão negociada do retrocesso, como se os ecossistemas funcionassem por acordos políticos.
E há quem especule com o destino do Movimento Nova Política, visto na ótica do poder como uma "articulação para criar um novo partido", como se nesse ambiente de política "em tempos do cólera" não caibam mais ideais sinceros.
Como em uma fita moebios, onde não se distingue dentro e fora, qualquer ação ou palavra é interpretada como parte do jogo, dar ou negar apoio a candidatos, ocupar espaço, afirmar-se na disputa.
A esperança se guarda e se renova na imprevisibilidade de nós mesmos, pois para além de nossas narrativas diminutas há sempre a grandiosidade dos muitos Brasis que habitamos e dos muitos que nos habitam.
Uma porção generosa criativa e livre completa seus 70 anos de vida mantendo a alegria e a esperança da juventude.
Caetano e uma geração inteira, de Gil e Milton e Chico e tantos brasileiros que promoveram um ideal de conhecimento ético e estético que não pode se perder, não vai se perder nem diminuir.
A grandeza da alma brasileira, os valores cantados pela nossa exuberante diversidade cultural, todos os tesouros da nossa terra e mais as dádivas que recebemos do céu são as verdades tropicais em que nos afirmaremos para superar, na radical critica de Walter Benjamin, as 'experiências de pobrezas' desse nosso tempo, tempo, tempo. Compositor do destino?


Marina Silva, ex-senadora, foi ministra do Meio Ambiente no governo Lula e candidata ao Planalto em 2010. Escreve às sextas na versão impressa da Página A2.

Postado por:

M.O.O.
Rio de Janeiro, RJ.