terça-feira, 2 de outubro de 2012

RESPEITO, UM POUCO DE RESPEITO!


Andrés Torres Queiruga

Gustavo Gutiérrez

Wolfhart Pannenberg


Ricardo Gondim

Paul Tillich
  
Jürgen Moltmann

Leonardo Boff
                                                                  


A teologia é uma área humana de grandes especulações acerca de Deus. Este, no entanto, é apresentado segundo a interpretação das pessoas sobre ele. Teologia sempre será especulação, nunca verdade fechada. Porque ela desenvolve-se no tempo, na história e ambiente distinto entre gerações. Por isso, considero um erro seres humanos finitos pensarem que têm todas as respostas acerca de um Ser infinito e sua relação com os finitos homens. Pois teologia é fruto de uma reflexão de um [ou vários] indivíduo[s]  oriundo[s] de um determinado período histórico e de suas idiossincrasias — como consequência da cultura, política, traumas psicológicos, etc. Penso,  aqui é que mora a Graça da Teologia.  
        Cada época é um tempo marcado pelas angústias e  gritos da alma por pessoas que não absolveram o "cálice" das respostas religiosas mal dadas sobre a vida. Aqui, podem nascer várias teologias. Umas que procuram apenas sistematizar e prontificar um aspecto particular ou geral da fé. E outra, a buscar significados interiores objetivando dialogar e sentir o sofrimento de pessoas portadoras de tragédias humanas irreparáveis, com o objetivo transcendente, mas humano: de apresentar o Deus encarnado em Jesus Cristo que socorre o ser humano em suas tragédias. Confesso que prefiro este último tipo de teologia.
        É notório que Santo Agostinho cumpriu um papel importante para a sua época. Que Tomás de Aquino deu respostas que, talvez, respondesse as realidades de algumas pessoas. Que Karl Barth reavaliou um sistema teológico alemão, até então, predominante naquele contexto geográfico. Mas o neoplatonismo de Agostinho não serviu à época de Aquino. O aristotelismo de Aquino não atendeu o tempo de Barth. A época de Karl Barth não suportaria mais ouvir o argumento racionalista do tempo de Tomás de Aquino. E hoje, o tempo em que vivemos, fazem-se necessárias novas respostas e justificativas, pois as conjunturas são  completamente distintas de épocas passadas. Talvez a pura letra das Escrituras não responda questões diretas e novas do tempo contemporâneo — completamente distinto daquele que as Escrituras fora forjada. Mas o Espírito do Evangelho a todos dar respostas e os acolhe —  a letra mata, mas o Espírito vivifica (2 Co 3.6).
        Nesta busca de se construir respostas que façam sentido a vida humana é que muitos teólogos emaranharam em dedicar anos de estudos e reflexões  — sempre a partir de tragédias pessoais como Dietrich Bonhoeffer, depois de viver a opressão do nazismo; Jürgen Moltmann, após a segunda guerra mundial; Ricardo Gondim, após a sua viagem à Índia; e outros para falar da fé, antenando-se com os respectivos sofrimentos de sua época.
        Mas o que mais me incomoda é que muitos "apologistas" parecem não entender a clareza da mensagem dos teólogos contemporâneos. Não compreender o que alguém escreve não é o maior dos pecados. Cada um faz a leitura de acordo com a consciência que tem. Mas desrespeitar, insultar e denegrir a imagem de pensadores sem, ao menos, ler uma linha do que escreveram; é, no mínimo, desonestidade. É triste ler alguns textos que demonstram ingenuidade de alguns — que se julgam defensores da "verdadeira fé" — ou maldade mesmo. Falta de caráter com o próximo. Só não o lançam literalmente na fogueira por não haver madeira, fogo e oportunidade de fazê-lo. Mas fazem o pior. Sem levar em conta que aquele ser humano "herege" é um pai, um filho, um pastor de uma comunidade inteira e objeto de amor incondicional de muitas pessoas — ele tem, esposa, filhos e filhas — jogam a sua reputação na fogueira da mídia virtual sem dó e piedade. Não, senhores! Isto não tem nenhum pouco do Espírito do Evangelho — mas do diabo.
        Aos jovens teólogos que estão chegando agora, aconselho: antes de criticar alguém, o faça após ler e compreender o que esse alguém escreveu. Considere a cultura dele, o tempo de pesquisa, a bibliografia — só a referência bibliográfica toma a metade da obra de muitos autores —, o rigor acadêmico de não tomar a ideia do outro sem citá-lo — isso é desonestidade intelectual, é crime! —, a objetividade e a propriedade da obra. Se ainda assim você discordar o faça com brandura, respeito, mansidão, clareza e propriedade intelectual. Vai outra dica: leia Wolfhart Pannenberg, Dietrich Bonhoeffer, Paul Tillich, Andrés Torres Queiruga, Leonardo Boff, Gustavo Gutiérrez Marino, Ricardo Gondim, dentre outros. Você deve ser critico. Isto faz parte do maior dom que o Eterno nos designou: o pensar. Mas por favor, respeite-os. É bem simples: viva no espírito do Evangelho. Ame a Deus e, a cima de tudo, em relação ao próximo:

Respeito, um pouco de respeito!    

M.O.O.
Rio de Janeiro, RJ. 


 

 

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